Crianças e Crack Pref RJ Reportagens

O Globo 21.05.2012
Crack: ação no Catete já recolheu 608 usuários
Diretor de abrigo diz que apenas 30% costumam ficar para fazer tratamento; a maioria vai embora no mesmo dia.
LUIZ GUSTAVO SCHMITT
WALESKA BORGES
Menina usuária de crack, acolhida numa ação da prefeitura, lê um livro na biblioteca de um abrigo municipal
RIO - A operação contra a cracolândia no Morro Santo Amaro, no Catete, que começou na última sexta-feira, recolheu, até a manhã desta segunda-feira, 608 pessoas que estavam nas ruas da comunidade e em áreas próximas. Os 572 adultos foram levados para o abrigo de Paciência, e os 36 menores para a Central de Recepção Carioca, no Centro. Hoje, porém, a maior parte já está novamente nas ruas. Segundo Ademir Treichel, diretor da Unidade municipal de Reinserção Social Rio Acolhedor, em Paciência, como não existe abrigamento compulsório de adultos, apenas 30% do total das pessoas acolhidas ficam no abrigo para tratamento. O resto, volta para as ruas na mesma hora em que chega: desce do ônibus de acolhimento e vai embora minutos depois. Entre os que permanecem, a maioria fica apenas pelo tempo de recuperar as forças para retornar às cracolândias.
— Muitos saem do ônibus e vão embora imediatamente. A mesma pessoa é acolhida por diversas vezes. O abrigamento não é compulsório no caso dos adultos. Na rua, essas pessoas têm toda a liberdade do mundo e não precisam respeitar horários. Elas são doentes e não têm poder de discernimento. Por isso, sou a favor da internação compulsória — comentou Ademir Treichel, lembrando que a unidade oferece cursos profissionalizantes, de alfabetização, lazer, biblioteca, sala de computador e piscina, entre outras atividades.
Crack é a droga mais usada por moradores de rua
O fracasso no tratamento dos adultos pode ser explicado pelo grau de comprometimentos deles com a droga. Um levantamento da Secretaria Municipal de Assistência Social mostra que o crack é a droga mais consumida entre moradores de rua do Rio. A pesquisa ouviu os 3.194 adultos acolhidos em ações do órgão, entre março de 2011 e abril deste ano. Das pessoas em situação de rua acima de 18 anos, 24% (774) responderam que são dependentes de crack, contra 20% (638) de álcool, 15% (486) de cocaína e 12% (364) de maconha. O estudo também compara o uso de diferentes tipos de drogas por faixas etárias. Na amostra de jovens e adultos com idades de 18 e 25 anos, 36 a 30 anos e 31 a 35 anos, o crack predomina. Essa relação muda, no entanto, entre os entrevistados de 36 a 40 anos: maioria se declarou usuária de cocaína, seguida de álcool, crack e maconha.
Nos relatórios da secretaria constam ainda 2075 acolhimentos de crianças e adolescentes, das quais 80% tiveram envolvimento com crack e/ou outras drogas. O órgão não detalhou o perfil dos dependentes químicos dos menores de idade.
O secretário de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, afirma que, na cidade, os moradores de rua adultos substituíram o uso do álcool pelo crack. E diz ainda que, entre os adolescentes, a droga tomou o lugar da cola de sapateiro e do tíner.
— Percebemos um crescimento assustador do crack entre as pessoas que vivem nas ruas. Elas migraram para esta droga potencialmente destruidora. Numa de nossas operações em cracolândias, chegamos a encontrar uma criança de 4 anos e outras de 6, que apesar de não estarem sob o efeito do entorpecente, estavam frequentando aquele ambiente — afirma o secretário.
Questionado sobre os adultos que O Globo flagrou na sexta-feira na cracolândia do Jacarezinho e no viaduto na Estrada do Galeão, que dá acesso ao Aeroporto Tom Jobim, Bethlem tornou a dizer que o problema só irá se resolver se for aplicada a internação compulsória para adultos dependentes do crack:
— Essas pessoas vão continuar frequentando essas regiões, se elas não forem internadas. O crack é uma droga muito forte e esses dependentes não conseguem se livrar do vício sozinhos. As crianças e adolescentes nós internamos compulsoriamente. Atualmente, contamos com 118 delas nas nossas cinco unidades de atendimento. No entanto, não podemos hospitalizar os adultos. Depende do querer deles. O problema é que essas pessoas não têm discernimento para fazer essa escolha.
De acordo com o psicólogo Israel Cortes, que coordenou a pesquisa sobre o perfil dos usuários de crack no Abrigo de Paciência, a maioria é homem e tem de 18 a 25 anos, além de apresentar histórico familiar de moradia nas ruas:
— São pessoas que sofrem com a falta de estrutura familiar e estão à margem da sociedade.
Jovens gastam R$ 740 por semana com a droga
Uma pesquisa do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em prontuários de 61 adolescentes atendidos no local, no segundo semestre de 2010, mostrou que sustentar o vício sai caro para os jovens. Eles gastavam, em média, R$ 550 reais por semana em drogas. No caso dos que consumiam crack, o valor era ainda mais alto (R$ 740). Em cocaína, os gastos eram de R$ 550 e, em maconha, de R$ 140.
Dos entrevistados, 48% alegaram a prática de roubo e 36% de assalto a mão armada para custear o uso da droga. Dentre os usuários de crack, a prática de roubo e assalto foi de 63% e 45%, respectivamente.
Segundo a diretora do Nepad, Ivone Ponczek, dos atendimentos feitos no local, a classe baixa é predominante entre os usuários de crack.
— A disseminação visível do uso crack está relacionada com a miséria no país. Observamos neste perfil o desamparo social e a desorganização familiar — comentou Ivone.
Já o psicólogo João Telles, que coordenou a pesquisa, lembra que o uso de drogas também está relacionado ao modismo:
— O uso do crack é uma questão de moda assim como foi a maconha e a cocaína tempos atrás. É uma questão de geração.
Os 61 pacientes analisados tinham idades entre 12 e 18 anos , 81% era do sexo masculino, 85% não havia completado o primeiro grau e 75% tinha renda familiar inferior a três salários mínimos. Entre os entrevistados, 66% buscava tratamento para o uso de crack, 25% para maconha e 5% de cocaína.
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O Globo 18/05/12
Força Nacional ocupa o Morro Santo Amaro em ação contra o crack
Operação marca início de projeto piloto do governo federal para tratar usuários da droga no Catete e em bairros vizinhos
ANTÔNIO WERNECK
ATHOS MOURA
RIO - As polícias civil e militar ocupam, desde o final da madrugada desta sexta-feira, o Morro Santo Amaro, no Catete. Nenhum tiro foi disparado, e após cerca de 20 minutos os policiais já consideravam a favela ocupada. Ninguém foi preso e alguns usuários de crack foram recolhidos. O objetivo é ocupar a comunidade para a entrada de 150 homens da Força Nacional, que permanecerão por tempo indeterminado no local para que a Secretaria municipal de Assistência Social (SMAS) instale na comunidade um projeto piloto para atender usuários de crack que se espalham pelas ruas do bairro, além de Glória, Flamengo e Botafogo. Com 200 assistentes sociais, psicólogos e educadores, o posto é parte do convênio assinado em dezembro do ano passado com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, dentro da campanha “Crack, é possível vencer”, do governo federal.
   — A droga passou a atingir mais pessoas, de diversos perfis, o que demanda uma ação integrada. Vamos instalar um posto permanente no Santo Amaro, atendendo usuários e assistindo seus parentes — afirmou o secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, coordenador do projeto no Rio.
   No Morro Santo Amaro, vivem 1.500 famílias (aproximadamente cinco mil pessoas), das quais 473 recebem auxílio em programas dos governos federal (Bolsa Família) e municipal (Família Carioca). Um contêiner ficará na parte baixa da favela e dois serão instalados no alto. O atendimento será estendido a toda a região. Segundo a secretaria de Assistência Social, o Santo Amaro é umas das 11 cracolândias da cidade do Rio de janeiro. Equipes da SMAS instalarão três contêineres no alto do morro e em um dos acessos à comunidade. O projeto prevê que psicólogos, assistentes sociais e educadores do município trabalhem 24 horas. Participam da ocupação, homens do 2º BPM (Botafogo) e as Delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), de Combate às Drogas (DCOD), da Criança e Adolescente Vítima (DCAV), além da 9ª DP (Catete).
    — A Força Nacional permanece no local por prazo indeterminado e nós também. Vamos levar saúde e assistência social a uma região carente. Teremos equipes volantes agindo no morro e no asfalto. Vamos recolher as crianças e os adolescentes, levando-os para as nossas casas de acolhimento. E convidaremos os adultos — disse Bethlem.
   A presença de policiais da Força Nacional num programa de saúde é parte do projeto, que prevê, além de ações de saúde, operações de segurança e de inserção social.
   — Já estamos encontrando nas ruas pessoas de classe média dependentes de crack, mas a grande maioria dos usuário é pobre e tem baixa escolaridade. Cinquenta por cento deles são de fora do Rio: vieram dos municípios da Região Metropolitana, do interior, de cidades que ainda não têm um programa de tratamento — observou o secretário municipal.
   O convenio da prefeitura e do Ministério da Saúde envolve também ações do governo estadual. Serão criados no estado 427 leitos e qualificados outros 71 (totalizando 498) em enfermarias especializadas em pacientes dependentes de álcool e drogas. Esses leitos serão destinados a internações de curta duração. Além disso, haverá 77 novas unidades de acolhimento, sendo 57 destinadas ao atendimento de adultos e 20 para crianças e adolescentes. A previsão é de um investimento total, segundo Bethlem, de R$ 40 milhões em toda a cidade.
   No programa estão previstas ainda ações de segurança pública, com operações policiais concentradas nas divisas do estado e em cracolândias, onde serão instaladas câmeras. Segundo o ministro da Justiça, a ideia é identificar e prender quadrilhas de traficantes. O Rio receberá cem câmeras, cinco bases móveis de vídeo-monitoramento, 15 veículos e 200 profissionais de segurança pública. O total de investimento federal nesse sistema será de cerca de R$ 9 milhões.

Nossos comentários
Impressionante como nossos governantes teimam em ignorar a história e a implantar políticas públicas com a única e clara finalidade de iludir o cidadão brasileiro, acobertados por uma mídia que teima em dar notícias de acordo com interesses outros, apesar de sua perda de credibilidade perante a opinião pública.
A falta de critério, de projeto de governo é tanta que tudo é noticiado como se fosse uma grande novidade, mas é sempre uma repetição do mesmo filme só de roupagem nova.
Nesse caso, esquecem-se que é na comunidade do Santo Amaro onde está instalada a sede do famoso BOPE, que a Prefeitura desenvolve a exatamente 1 ano o programa, que na realidade é uma FARSA, de acolhimento compulsório de crianças e crack, como comprova sua ineficiência, que o Governo Federal é completamente omisso quanto as imoralidades e ilegalidades desse programa da Prefeitura, optando, por isso mesmo, implantar um outro programa em uma região de grande visibilidade, não a toa onde acontecerão atividades da Rio + 20, onde a Prefeitura não atua prioritariamente, fazendo, de novo, os usuários de drogas da cidade do Rio de Janeiro de cobaia e sua população de palhaça.
É uma pena, porque tudo podia ser bastante diferente, onde todos só teriam a ganhar, inclusive esses politiqueiros menores e insanos que tomaram de assalto nossa cidade.
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O Dia 13.04.2012
Choque e spray de pimenta na luta contra o vício do crack
Armas não letais serão usadas por policiais quando viciados reagirem com violência. Medida é parte de pacote de R$ 240 milhões que o Rio vai receber
LIVIA ARAGÃO / RICARDO ALBUQUERQUE
Rio - O combate ao crack no Rio de Janeiro contará com arma de choque e spray de pimenta. Duzentos equipamentos não letais serão usados por policiais sempre que os usuários reagirem com agressividade. A medida é parte de pacote de R$ 240 milhões para o estado combater o avanço da droga e recuperar viciados até 2014. Na madrugada de ontem, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou cracolândias no Centro.
     O convênio entre os governos federal, estadual e municipal foi assinado ontem no Palácio da Cidade. O programa ‘Crack, é Possível Vencer’ prevê treinamento de 200 policiais para aprender a abordar viciados e manusear as armas não letais. “Para vencer o crack é preciso uma combinação de prevenção, repressão ao tráfico de drogas e atenção aos usuários”, resumiu o ministro Padilha.
Ministro da Saúde acompanhou ação de acolhimento de usuários de crack
Foto: Fabio Gonçalves / Agência O Dia
     Serão compradas 100 câmeras de monitoramento fixo, mais cinco móveis e 10 motocicletas. A expectativa é que esse ‘big brother’ iniba o consumo de drogas nas cracolândias. Só em segurança serão investidos R$ 9 milhões. A promessa é que ainda este ano sejam inaugurados abrigos para viciados em crack nas favelas do Jacarezinho e Santo Amaro, no Catete, onde há cracolândias, e em Bangu. Em dois anos, a meta é ter 57 unidades para adultos e 20 para menores.
Consultórios de Rua
Segundo Padilha, dois consultórios móveis — com profissionais de saúde e assistentes sociais — vão começar a funcionar no Catete dentro de um mês. Ao todo, serão 27. “Vamos fazer busca ativa de usuários que vivem nas ruas. Será feita avaliação para saber a melhor forma de cuidar daquela pessoa e, se necessário, o acolhimento será realizado”, explicou Padilha.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o secretário-chefe da Casa Civil do estado, Régis Fichtner, e o prefeito Eduardo Paes, participaram da assinatura do convênio. Até o final do ano, 100 novos leitos serão criados no Rio de Janeiro para atender a viciados. A meta é chegar 427 até 2014. Seis novos Centros de Atenção Psicossocial atenderão 24 horas em todo o estado do Rio.
Secretário quer ampliar internação compulsória
O secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, defende que o acolhimento compulsório — já existente para menores viciados em crack — seja ampliado para adultos. “Esses adultos não têm mais condições de arbitrar por si próprio”, defende Bethlem, que acompanhou o ministro Padilha nas cracolândias da Central e da Cidade do Samba.
Sofremos uma epidemia do crack. Não só pelo aumento dos casos como pela necessidade de fazer os usuários recuperarem o laço familiar. Vamos aumentar o número de equipes de rua. Vamos prevenir, cuidar e promover forte repressão ao tráfico, inclusive com ações nas fronteiras do País”, comprometeu-se o ministro.
As equipes que atuam na rua na abordagem a viciados será dobrada para quatro no Rio. Na ação acompanhada pelo ministro, uma adolescente e 15 adultos viciados foram levados para abrigos. Participaram da ação 30 agentes da Prefeitura do Rio e PMs.

Nossos Comentários
Interessante essa matéria poque ela traz, em poucas linhas, as contradições de todas essas desastrosas ações relativas ao uso do crack.
Ela começa enaltecendo medidas que vão de encontro a política da guerra as drogas, dando destaque em seu título que "Choque e spray de pimenta na luta contra o vício do crack." sem se perguntar questões básicas como: 
Um país em que a população está exposta a tantas mazelas, porque está sendo dado tanto destaque ao crack?
Não seria mais producente antes do Estado partir para uma estratégia belicosa a esse respeito, lançar campanhas de prevenção ao uso e apoio ao usuário como, por exemplo, divulgar telefones e endereços para onde deveriam se dirigir usuários, familiares e afins?
A matéria prossegue alardeando o fato de que serão criadas vagas para para "atender viciados". O que quer dizer isso, que no momento não dispomos de leitos para atendimento?
Como vemos, toda a política governamental nessa área não resiste a uma análise simples e superficial.
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rev Carta Capital 13.04.2012
A truculência não resolve
(Nossas observações estão assinaladas no interior do texto, escritas na cor verde como aqui.)
Francisco Alves Filho
    O volume de trabalho de Celso Ferreira, 45 anos, funcionário da Prefeitura do Rio de Janeiro, aumentou muito no último ano. Contratado para um cargo de título pomposo, “educador social”, ele é uma das 50 pessoas cuja função é ir às chamadas cracolândias da cidade para recolher os usuários de crack e levá-los para abrigos municipais. Depois de criar um “Protocolo de Abordagem Social”, no início de 2011, a prefeitura passou a internar compulsoriamente crianças e adolescentes viciadas.

Gato e rato: eis a estratégia usada pelos agentes da prefeitura. Fotos: Adriana Lorete
     “A quantidade de meninos recolhidos aumentou bastante. Gosto do que faço, é preciso recuperá-los”, diz Celso, evangélico fervoroso. Mais precisamente, foram 544 (esse é um dado controverso, porque ora a Prefeitura diz que são 544 crianças e adolescentes acolhidas e ora ela afirma que são 544 acolhimentos, com algumas crianças sendo acolhidas diversas vezes porque elas fugiram muito(!?)) nos últimos 12 meses. Apesar da boa intenção de funcionários como ele, a iniciativa da Prefeitura do Rio é alvo de polêmica e sérias contestações. A eficácia do tratamento iniciado com uma internação obrigatória é questionada por muitos especialistas, defensores de uma abordagem baseada no convencimento e no apoio familiar.
     “Lugar de criança não é na rua. Se não quero isso para o meu filho não quero nenhum menino ou menina”, diz o secretário de Ação Social, Rodrigo Bethlem, encarregado da tarefa.  Apesar da convicção de Bethlem, o percentual de sucesso não pode ser considerado alto (28,16%) (outro dado extremamente controverso, pois especialistas afirmam em um grau de sucesso, ex-usuários que passaram a não mais usar drogas compulsivamente por mais de 5 anos, menor que 5%. Vejam diversos depoimentos a esse respeito aqui no blog em "vídeos") e a veracidade dos dados tem sido contestada. Em cidades como Porto Alegre, Salvador e Recife, consultórios montados na rua se colocam como alternativa a esse tipo de abordagem. O Brasil ainda busca a metodologia ideal para combater o flagelo do crack.
     A rotina dos funcionários que recolhem os menores para internação compulsória se parece com um jogo de gato e rato. Nas operações freqüentes, feitas geralmente em locais perigosos pela proximidade com o tráfico, eles assistem a muitos viciados fugirem em debandada assim que suas vans estacionam.
    Quando conseguem se aproximar de algum jovem usuário de crack, gastam um bom tempo conversando. “Tentamos fazer ele ir por vontade própria, para evitar levar pelo braço”, conta Celso. A maioria escapa, há quem arremesse pedras contra os veículos, mas algumas crianças e adolescentes alcançados pelos funcionários acabam levados para as vans. “Com o tempo, notamos a diminuição de meninos nessas cracolândias, uma prova de que estamos avançando”, diz Betlem (essa diminuição não tem nenhuma relevância, pois o que está ocorrendo é que os usuários estão se organizando em outros locais com medo das batidas policiais travestidas de ações sociais).
    São muitos os especialistas que acham o contrário. “A internação compulsória pode ser indicada para alguns casos, são exceções e não a regra”, acredita Pedro Abramovay . Ele reconhece, no entanto, que a ação da prefeitura do Rio tem o benefício de seguir os parâmetros da saúde e da ação social e não da captura policial, como ocorre em São Paulo. “As instalações para onde são levadas essas crianças, porém, têm métodos e aparência de prisão, são inadequadas para o tratamento”.
    Uma das críticas mais assíduas a esses abrigos é a presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ, Margarida Pressburger. Ela esteve em janeiro no abrigo Casa Viva, de Laranjeiras, e não gostou nada das condições do lugar, um pequeno prédio de dois andares. “A médica e a psiquiatra fazem plantão apenas uma vez por semana, durante três horas”, relata a advogada (o que desmente a entrevista dada por Rodrigo Betlhen no Pgm A Liga apresentado no início dessa página).
    Além disso, segundo Pressburger, as crianças estavam completamente ociosas, sem um livro, uma televisão ou uma bola para ocupá-las.  O uso de remédios de tarja preta foi constatado. “Uma das meninas se mostrava completamente apática, sem reação, e a psiquiatra do nosso grupo disse que ela estava dopada”, conta a integrante da OAB.
Aquilo não devia ter o nome de Casa Viva, parece mais casa da morte”. A artista plástica Yvonne Bezerra de Mello, coordenadora de uma ONG para atendimento a crianças de rua, também esteve naquele abrigo. “Está longe de ser o tratamento ideal para crianças envolvidas com esse problema. Elas deveriam estar hospitalizadas”, opina.

Expoente da internação forçada, cidade coleciona casos de abusos
     “Havia crianças fumando livremente e os funcionários alegaram ser uma alternativa para amenizar a dependência do crack”. Depois dessas duas visitas, a prefeitura informou ter implantado plantões diários de psicólogos e não é mais permitido fumar nos abrigos.
    A reportagem de Carta Capital esteve no abrigo Ser Criança, no bairro de Guaratiba, na manhã de terça-feira 10. Diferente das instalações de Laranjeiras, ali o espaço é bastante amplo, com piscina, quadra de futebol e duas salas de tevê. Os quartos são pequenos, com beliches onde há vagas para quatro meninos.
    O abrigo é dividido em área de crianças e de adolescentes. Naquela manhã, uma psicóloga atendia alguns abrigados e 17 crianças participavam de uma atividade lúdica. Aos 14 anos, o garoto M.A. está prestes a completar 11 meses no abrigo. Antes dali, não passava um dia sem crack e chegou a pegar em arma na quadrilha de traficantes de drogas da favela Mandela, na zona norte carioca. “Depois de uma operação policial, eu resolvi pedir para ser internado”, conta ele.
    Tratado com medicamentos, o próprio garoto diz estar com aparência bem melhor do que quando chegou e espera voltar para casa em breve. Esse retorno, que representaria o final do tratamento, pode, na verdade, se tornar um risco: enquanto o irmão foi preso algumas vezes e é usuário do crack,  a mãe, também viciada, fez apenas uma visita ao filho e não se mostra preocupada com o destino do garoto. “Com uma família desestruturada, é grande o desafio de manter o tratamento depois que o menino sai daqui”, diz Watusy Ramos, coordenadora do abrigo.
    O setor destinado aos adolescentes é diferente da área das crianças. Ali está a quadra de esportes, mas o espaço é bem menor. Além disso, as instalações estão em pior estado, com infiltrações e mesas de plástico mal conservadas. Os banheiros são limpos, mas parecem não ter recebido acabamento, o que dá ao lugar um ar prisional – impressão acentuada pelo físico musculoso do educador que lidava com os jovens. Um deles, G. S., de 15 anos, foi levado ao abrigo pela família.
    Também usa medicamentos para controlar as crises de abstinência e diz se sentir melhor. Tem, no entanto, uma reclamação grave: a agressividade por parte de alguns educadores. Seu colega, M.A. também diz que foi agredido por um “tio”. Tanto G.S. quanto M.A. reclamaram das agressões à coordenadora Watusy, que repreendeu os funcionários e, segundo os meninos, o problema não se repetiu (observar que o aqui relatado é crime de tortura, praticado por agente do Estado, contra menores sob sua guarda, o que é considerado crime hediondo. Tais crimes deveriam ter sido comunicados aos Conselhos Tutelares, a Vara da Infância e da juventude, alias coresponsável por esse programa, e ao ministério Público. Esperamos que a rev. Carta Capital encaminhe tais denúncias ao Ministério Público).

Porcentual de êxito do método é de apenas 28,16%
   “É preciso entender que o uso da droga é um ponto de partida, e não um ponto de chegada. O uso começa num ambiente tão ruim que a droga aparece como solução. A saída é dar resposta social para fazer com que a droga não seja mais necessária”, afirma Paulo Silveira, da ONG Respeito é Bom e Eu Gosto. “O programa do Rio é uma farsa na medida em que não tem nada a oferecer como instrumento de inclusão social.(A lógica exposta coincide com nosso pensamento, embora entendamos que a droga, para cidadãos em situações similares as aqui descritas, seja um ponto de chegada e não de partida ou seja: elas usam crack porque são excluídas e ao contrário que o poder público quer nos fazer acreditar que elas são excluídas porque usam crack.)
   A denúncia mais contundente, no entanto, é feita por Monique Barbosa, mãe de J.A., de 12 anos. O garoto está de volta à casa desde janeiro, depois de passar quatro meses no abrigo de Guaratiba.  Inicialmente, ela elogia o trabalho e diz que o filho está recuperado do vício do crack graças àquele tratamento. “Desconfiava que não ia dar certo, mas foi melhor do que eu esperava. Mesmo depois da volta dele para casa, continuo recebendo apoio da prefeitura”, diz.
  Do lado negativo, Monique também relata agressões. “Meu filho falou que alguns funcionários batiam nas crianças, outros acordavam  os meninos jogando água em seus rostos. Houve até um dos meninos, chamado Yan, que foi jogado na piscina com os braços amarrados e quase se afogou, foi retirado de lá desacordado”, relata (de novo, aqui o relatado é de tortura, crime hediondo). Depois que o filho contou essas cenas, presenciadas no final do ano passado, Monique levou o caso à coordenadora, que afastou o funcionário. Watusy reconhece que volta e meia é obrigada a lidar com o problema: “Fazemos cursos de qualificação e de reciclagem, mas há quem não saiba lidar com a agressividade dos jovens afetados pelo vício. Quando identifico algum esse tipo de comportamento, repreendo ou afasto a pessoa imediatamente”.
   Consultado pelo secretário Bethlem antes do início do recolhimento compulsório, o psiquiatra Jorge Jaber vistoriou os quatro abrigos da prefeitura e aprovou tanto o espaço físico quanto a preparação dos educadores. “Vi gente abnegada, que se dedica ao seu trabalho”, afirma (Sr Jorge Jaber, quer dizer então que és cúmplice do crime de tortura de crianças e adolescentes?). No ano passado, voltou à Casa Viva e também gostou do que viu. Acha que é preciso avançar e reuniu-se com outros especialistas para levar à prefeitura sugestões que possam melhorar o atendimento, entre elas a criação de um instituto voltado para o tratamento de usuários de drogas.
    Sobre a eficácia do tratamento feito depois de internação compulsória, ele não tem dúvida: “Fiz um estudo e concluí que nesses casos o sucesso pode chegar a 77% dos casos, superior ao constatado nas internações voluntárias”. Por esse padrão, o desempenho da prefeitura do Rio está baixo, pois não chega a metade desse índice (Interessante a observação do jornalista, uma vez que se a Prefeitura alega que seus índice de sucesso é de 28,16% e é o próprio Jorge Jaber o responsável pelo programa, o que haveria de errado com o programa da Prefeitura que não obtém o fantástico índice de sucesso de 77%(!!). te sugiro que veja a entrevista que Jorge Jaber e Rodrigo Bethlen deram para a TV Record, postada ao final dessa matéria).
    Integrante da ONG “Respeito é bom e eu gosto”, que denuncia os problemas do programa de internação compulsória, Paulo Silveira discorda profundamente de Jaber.
    “O uso do crack começa num ambiente tão ruim que a droga aparece como solução. A saída é dar resposta social para fazer com que a droga deixe de ser necessária”, acredita Silveira. Ele classifica o programa do Rio como “farsa” na medida que oferece instrumento de inclusão social. “Cidadãos brasileiros estão sendo suprimidos de seus direitos. É um regime de exceção justificado pela guerra às drogas”.

Garoto é carregado por agentes
    Outras capitais brasileiras seguiram um caminho bem diferente para lidar com o problema. Em Porto Alegre, a prefeitura criou consultórios na rua, onde é feito um atendimento permanente.
    “Mesmo nos casos de crianças e adolescentes buscamos estabelecer um relacionamento de confiança e tentamos convencê-los a se tratar”, explica o secretário municipal de Saúde da capital gaúcha, Marcelo Bósio. Foram criadas comunidades de acolhimento, nas quais os garotos e garotas não perdem o vínculo familiar.
    Para ele, a motivação do indivíduo é um forte elemento para a recuperação. “A internação compulsória não é eficaz, a vontade do usuário de se tratar é importante para a cura. Por isso, nunca optamos pela imposição”, afirma. Recife e Salvador têm experiências parecidas.       Não se sabe, porém, se poderiam ser repetidas em megalópoles como Rio e São Paulo, onde o número de crianças e adolescentes viciados é muito maior. O método ideal para o Brasil, como se vê, está sendo testado na prática.
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TV Record

03.04.2012
Imagens flagram venda e consumo de crack na zona norte do Rio
Não deixem de ver a entrevista do Secr. Rodrigo Bethlen
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02.04.2012
Operações de combate às cracolândias no Rio completam um ano
Não deixem de ver a entrevista do psiquiatra Jorge Jaber, consultor da Pref na implantação desse programa.
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TV Record - 28/09/2011
Já foi ‘xerife’ da cidade e hoje recupera crianças do crack.

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17.08.2011
Polícia investiga denúncia de maus-tratos a crianças viciadas em clínica de RJ
Essa entrevista apresenta o depoimento da Juíza da 1ª Vara da Infância e da Juventude sobre o programa em questão, Dra Ivone Caetano, e do Secr Rodrigo Bethlein demonstrando que ambos têm pleno conhecimento da tipo de tratamento que as crianças e adolescentes internados nas instalações da Pref. vêm recebendo.
Dentre os absurdos, destaca-se a argumentação de que os pedidos de socorro feitos pelos internos são motivados pela abstinência a droga, mas se assim fosse eles chamariam logo a polícia para socorrê-los?


Para aqueles que quiserem ver o vídeo das crianças pedindo socorro completo  http://bit.ly/HJ6QUv 
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22/07/2011

Projeto no Rio tenta livrar crianças das drogas
Observem a presença da Ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, visitando a "Casa Viva", a instalação com maior índice de denúncias de irregularidades em desrespeito ao ECA, de agressões de funcionários aos internos, funcionários desqualificados, etc.

  
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Combate ao Crack, Drogas em geral.
Programa da Prefeitura do Rio de Janeiro
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Organizações Globo

O Globo 13.04.2012
Pessoal consome dois terços dos gastos com dependentes de crack
O valor de R$ 1.049.896,85 é destinados ao pagamento de 584 servidores públicos ou profissionais contratados; entre eles, apenas cinco são médicos
SELMA SCHMIDT / ANA CLÁUDIA COSTA / RENATA LEITE / ROGÉRIO DAFLON

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que participou de uma ação da prefeitura de combate ao uso de crack, conversa com moradoras de rua abordadas por agentes. 
Foto Fernando Quevedo 
RIO - As despesas com pessoal consomem quase dois terços do total gasto, mensalmente, pela Secretaria municipal de Assistência Social no acolhimento e no tratamento de viciados em crack. Segundo a planilha de março apresentada pelo órgão, do total de R$ 1.699.141,24 — menos do que os R$ 2 milhões informados inicialmente —, R$ 1.049.896,85 foram destinados ao pagamento de 584 servidores públicos ou profissionais contratados. Entre eles, apenas cinco são médicos: quatro lotados em unidades que abrigam compulsoriamente menores e um (sanitarista), que deve dar apoio a todas as equipes de abordagem de drogados nas ruas.
     Ao justificar o número reduzido de médicos, a secretaria alegou que a função do órgão é prestar assistência social (Se a função da SMAS é prestar assistência social porque ela administra estabelecimentos para recuperação de usuários de drogas? Esse programa não deveria ser administrado pela Secr. de Saúde?). Pelo quadro apresentado, entre os profissionais que trabalham em abrigos para viciados e nas equipes de abordagem, há 38 assistentes sociais, 34 psicólogos e cinco enfermeiros (Quem administra os remédios as crianças? Quem presta primeiros socorros em casos de acidentes?).
     Além dos salários, o valor de quase R$ 1,7 milhão é destinado mensalmente ainda ao pagamento de alimentação (R$ 197.937,96), de transportes (R$ 199.719,50), de serviços diversos (R$ 54.957,29 para limpeza e material pedagógico, entre outros), de concessionárias (R$ 51.190 para quitar contas de luz, gás e telefone), de aluguel de quatro casas (R$ 30.100), de monitoramento (R$ 59.689,64) e de convênios com entidades responsáveis por dois abrigos para homens e mulheres (Emaús, em Cordovil; e Retiro do Maranathá, no Engenho de Dentro).
       É com a Unidade de Reinserção Social Rio Acolhedor, para adultos, em Realengo, que a prefeitura gasta mais: R$ 481.783,82. O Rio Acolhedor é ainda o abrigo com mais funcionários: 180, que, juntos, representam um gasto de quase R$ 267 mil. Da equipe, sem médicos, fazem parte um enfermeiro, 14 psicólogos e dez assistentes sociais. Se todas as 450 vagas da unidade estivessem ocupadas, seriam dois funcionários e meio para cada paciente (Há um equívoco aqui, na realidades seriam 2,5 pacientes para cada funcionário).    Como o acolhimento é compulsório apenas para os menores, no entanto, a rotatividade nesse abrigo é grande.
     Outras três unidades recebem adultos viciados e recursos da prefeitura: Irmã Dulce, no Rio Comprido, com 16 vagas para mulheres; Emaús, com 33 vagas para homens; e Maranathá, com 40 vagas. Juntando as quatro casas, as despesas da prefeitura com adultos viciados chegam a R$ 587.366,56.
     Para atender crianças e adolescentes viciados, o gasto é um pouco maior: R$ 697.202,12. A fatia destinada às equipes de abordagem é de R$ 230.952,06. Outros R$ 183.620,50 são para custear os gastos do grupo que trabalha no gerenciamento do programa de combate às drogas, formado por 40 profissionais.
     As quatro unidades que atendem menores com dependência química funcionam em prédios alugados. Juntas, têm 178 vagas, mas, atualmente, há apenas 119 menores internados compulsoriamente (Porque sobram 59 vagas se existem tantas crianças e adolescentes vagando pelas ruas da cidade precisando de ajuda?). Elas funcionam em Laranjeiras (Casa Viva, para adolescentes do sexo masculino), Guaratiba (Ser Criança e Bezerra de Menezes, esta para menores do sexo feminino) e Campo Grande (Ser Adolescente).
     A rede municipal de assistência a dependentes químicos é formada ainda por três centros que fazem a triagem dos menores abordados nas ruas: a Central de Recepção Ademar Ferreira de Oliveira e a Central de Recepção Taiguara, ambas no Centro; e a Central de Recepção Bangu. Nesses centros, é avaliado se o menor precisa ou não ser internado compulsoriamente para se tratar.
    Segundo a Secretaria de Assistência Social, 40% dos menores recolhidos nas ruas e em cracolândias foram internados (E os 60% restantes, o que é feito deles? Qual o critério de seleção para determinar quem deve ser internado ou não?). Das crianças e adolescentes acolhidos compulsoriamente, 24% são reincidentes, ou seja, foram abordadas mais de um vez (O que quer dizer isso? Como reincidentes?). Ainda de acordo com a secretaria, 31% dos menores internados no último ano não receberam uma única visita de familiares (E o que vai ser feito com essas crianças e adolescentes que não puderem ser reinceridos em suas famílias?). O crack foi a droga utilizada mais mencionada por essas crianças e adolescentes, seguida pelo cigarro, pela maconha e pela cocaína.
Dos abrigados compulsoriamente, 60% são do sexo masculino. Números mostram ainda que 50% têm entre 13 e 15 anos; 35% entre 16 e 17 anos; e 15% até 12 anos.
    Especialistas divergem sobre a internação compulsória de usuários de crack. Presidente da Comissão de Políticas Sobre Drogas da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio (OAB-RJ), o advogado Wanderley Rebello de Oliveira diz que não há base legal:
— Considero uma ilegalidade ações como essa. O álcool mata mais do que todas as drogas juntas, e não existe histórico de recolhimento de pessoas sob o efeito de bebida.

Especialistas têm opiniões divergentes
     Perguntado se a lei 10.216 fundamenta esse tipo de procedimento, o advogado afirmou que ela não se refere a pessoas com dependência química. Já a psiquiatra Analice Gigliotti, especialista em dependência química, discorda. Para ela, a lei respalda a internação involuntária.
— Existe uma diferença entre internação compulsória e involuntária. Na primeira, ela ocorre por decisão judicial. Na segunda, por decisão médica, com base no fato de que um dependente de crack pode, por exemplo, colocar em risco a própria vida e a de terceiros. A lei dá base legal à internação involuntária, pois qualquer condição que afete o cérebro e mude o comportamento é um transtorno mental, mesmo que passageiro.
     Para ela, o caso do dependente de crack não é um transtorno passageiro, e sim crônico.
    Na tarde de sexta-feira, PMs a cavalo começaram a patrulhar o Campo de Santana, onde ocorrem assaltos e viciados costumam se reunir.

Ministro da Saúde visita cracolândias e assina convênio de R$ 240 milhões para o estado.
     Horas antes da assinatura do convênio entre União, estado e município como parte da campanha "Crack, é possível vencer", do governo federal, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acompanhou na madrugada de sexta-feira uma operação de acolhimento de usuários da droga nos arredores da Central do Brasil e da Cidade do Samba, na Gamboa.  Durante a ação, que reuniu 30 agentes da Secretaria de Assistência Social e um carro do 5º BPM (Praça Harmonia), 15 adultos aceitaram ir para abrigos e uma adolescente foi recolhida compulsoriamente.
     Para o ministro, a droga passou a atingir mais pessoas, de diversos perfis, e mais regiões, o que demanda uma ação integrada. Ele acompanhou a operação ao lado do secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem.
— Hoje, não são apenas os moradores de rua que usam crack, nem é mais um problema exclusivo das cidades grandes — disse Padilha, que conversou com pessoas que eram abordadas pelos agentes. — Por isso, é preciso disponibilizar equipamentos para tipos de atendimentos diversos. Tornou-se necessário combinar investimentos em prevenção, cuidados e forte repressão ao tráfico, este último sob responsabilidade do Ministério da Justiça e da Secretaria de Segurança.
     Bethlem disse que, com as verbas que serão repassadas, haverá ampliação da estrutura de atendimento.
— Antes de termos o acolhimento compulsório de crianças e adolescentes, contávamos com 30 vagas para o grupo e elas não eram preenchidas. Hoje, temos 170 vagas e mais de 110 delas estão preenchidas. Com as verbas, vamos ampliar o atendimento.
Consultórios serão montados em ônibus
    Ações de saúde, segurança e inserção social. Esse é o tripé do atendimento aos usuários de crack previsto no convênio de "Crack, é possível vencer", assinado na manhã de sexta-feira.  Está previsto um investimento de R$ 240 milhões no estado pelo governo federal. Ao assinar o acordo, o ministro da Saúde anunciou já para os próximos 30 dias a instalação de dois consultórios móveis — ônibus com médicos, psicólogos e assistentes sociais — junto às cracolândias do Jacarezinho e do Morro Santo Amaro, no Catete.
— Os consultórios terão o papel de fazer uma busca de quem vive na rua. Os profissionais de saúde treinados avaliarão, junto com assistentes sociais, a melhor forma de tratamento para o dependente da droga — disse Padilha.
     A previsão é que, até 2014, a capital receba uma verba de R$ 4,25 milhões: R$ 1,23 milhão para Santo Amaro e R$ 2,44 milhões para Jacarezinho, Manguinhos e Bangu. Desse montante, R$ 1,3 milhão já serão investidos nos próximos seis meses.
     No programa estão previstas ainda ações de segurança pública, com operações policiais concentradas nas divisas do estado e em cracolândias, onde serão instaladas câmeras. Segundo o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a ideia é identificar e prender quadrilhas de traficantes. O Rio receberá cem câmeras, cinco bases móveis de videomonitoramento, 15 veículos e 200 profissionais de segurança pública. O total de investimento federal nesse sistema será de cerca de R$ 9 milhões.
     As ações de saúde incluirão a criação de 427 leitos em enfermarias especializadas de hospitais federais para tratamento de dependentes químicos. Está prevista ainda a criação de seis novos centros de acolhimento de viciados. Equipes médicas e de profissionais de assistência social serão treinadas para lidar com os usuários de crack. A previsão é que, até 2014, cerca de 308 equipes de abordagem estejam treinadas.
    Após assinar o convênio para combate ao consumo de crack e tratamento de dependentes da droga, o prefeito Eduardo Paes defendeu a internação compulsória de adultos viciados:
— Queria deixar explícita minha posição favorável à internação compulsória em caso de adultos viciados em crack. Sei de pessoas que perderam o bom senso, a capacidade de julgar, de avaliar e de tomar decisões. É um tema polêmico, mas temos que salvar vidas.
    Já o ministro da Saúde disse ser a favor da internação involuntária, com base na lei federal 10.216, de junho de 2001, que trata da internação compulsória de pessoas com transtorno mental. Segundo ele, as internações respeitarão um protocolo e terão que ser determinadas por profissionais de saúde:
— Temos regras e leis que nos permitem fazer a internação quando o profissional avaliar que aquela pessoa corre risco de vida ou coloca em risco a vida de outras pessoas. Temos regras para dizer que é possível fazer internações involuntárias.
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Matéria do RJ TV sobre o CRACK
Vejam que primor a entrevista do consultor Rodrigo Pimentel depondo sobre a "excelência" dos equipamentos da Prefeitura que recebem as crianças e os adolescentes, administrando inclusive cursos de profissionalização, que só ele conhece.
Mas em breve outras reportagens surgirão esclarecendo os fatos.

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Veja nossos comentários no interior da matéria em verde (grifos nossos).

G1 13/04/2012
Ministro da Saúde anuncia medidas para combater o crack no RJ
Padilha participou de operação de combate ao crack no Centro. 
Segundo ele, só no estado serão 1.700 novos leitos para atendimento.

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     O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, chegou ao Rio de Janeiro, na quinta-feira (12), para assinar o termo de adesão do Plano de Combate (vejam que o plano é de combate ao crack, quando deveria ser de apoio ao usuário) ao Crack no Rio. Ele anunciou medidas que serão adotadas no estado até o final do ano para ajudar no combate ao crack durante entrevista ao Bom Dia Rio.
     Apesar do Rio ter aderido ao plano em 2010 e a assinatura do termo só está acontecendo agora, o ministro afirmou que já está agindo. “Ontem estive com o secretário Rodrigo Bethlem, com a secretaria municipal de Saúde, numa ação em que o Ministério da Saúde passa reforçar ainda mais. São duas equipes que já existem, que fazem a busca ativa, e passam a ser quatro já nesse primeiro semestre”, afirmou.
      Atualmente, segundo Padilha, há 120 locais de internação só na cidade do Rio de Janeiro (aonde Sr Ministro, nos informe apenas 1 que tenha vaga para os usuários que queiram se tratar) e o objetivo é dobrar esse número ao longo do ano em função da urgência do assunto. Ainda segundo ele, no estado do Rio ficarão à disposição cerca de 1.700 novos leitos (quando Min teremos 1.700 leitos disponíveis para usuários de drogas?).
     Uma parte desses leitos são parcerias com entidades do terceiro setor, que já cuidam de problemas com dependência química. "A outra parte são unidades de acolhimento, de pessoas que às vezes precisam ficar quatro, cinco meses, algumas infantis. O objetivo é abrir mais de 100 leitos (vamos as contas: se um cidadão precisar ficar internado 4 vezes, esse leito será ocupado por 3 cidadãos por ano, o que quer dizer que teremos atendido 300 (3x100) usuários ao final de 1 ano. Como a própria Secr estima que temos 3.000 usuários na cidade (ver matéria a seguir), o que fazer com os outros 2.7000, o mesmo que está sendo feito em SP, criminalizá-los como traficantes e jogá-los nos nossos presídios já super lotados?) só aqui na cidade Rio de Janeiro", garantiu.
   O objetivo dessas unidades de acolhimento, segundo ele, é garantir a reinserção social dessas pessoas, priorizando o contato com as famílias, práticas esportivas e o acompanhamento de profissionais de saúde e assistência social (e o acesso a educação, Ministro?).
    Outra ação que está em andamento são os consultórios de rua, que são chamados de busca ativa. “São profissionais que trabalham durante a noite toda, às vezes de madrugada. Nós temos que ir atrás de onde as pessoas estão, oferecer a possibilidade de tratamento, de acolhimento”, disse o ministro, afirmando que são pessoas estão com risco de vida e muita vezes precisam ser internadas, mesmo involuntariamente.
    Nesta quinta, Padilha ainda participou de uma operação de combate ao crack, no Centro da cidade, acompanhado do secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, e de agentes. O grupo esteve no Sambódromo, onde um policial encontrou pedras de crack e facas. De lá, eles seguiram para a região da Central do Brasil, também no Centro, onde encontraram muitos usuários da droga, inclusive uma menina de 16 anos.
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O Globo 10.04.2012
Mapeamento mostra que Rio tem 11 cracolândias e 3 mil usuários da droga
Eduardo Paes vai assinar convênio com os governos federal e estadual, em mais uma tentativa de frear o avanço da droga
Ana Cláudia Costa e Selma Schmidt
RIO - Um quadro preocupante: o Rio tem hoje pelo menos 11 cracolândias e outros seis pontos itinerantes de consumo de crack, segundo mapeamento informal, feito pela Secretaria municipal de Assistência Social, a pedido do GLOBO. Nessas áreas circulam cerca de três mil usuários (20% deles menores), o que leva o município a gastar, mensalmente, R$ 2 milhões no acolhimento e tratamento de viciados. A prefeitura, na verdade, até hoje não fez um mapeamento completo da geografia do crack na cidade.
     Diante dessa realidade, o prefeito Eduardo Paes vai assinar, na sexta-feira, um convênio com os governos federal e estadual, em mais uma tentativa de frear o avanço da droga. O programa "Crack, é possível vencer" faz parte do Plano Nacional de Enfrentamento do Crack. Com isso, o Rio receberá R$ 40 milhões por ano. As ações do município se concentrarão nas maiores cracolândias cariocas: Jacarezinho, Manguinhos e Morro do Cajueiro (Madureira).
    Segundo o secretário de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, a verba será usada na ampliação de consultórios de rua, de abrigos-modelo e de leitos em hospitais públicos para o tratamento de viciados. Será desenvolvido também, adiantou ele, um trabalho de acompanhamento de menores após o tratamento do vício. As equipes serão monitoradas e treinadas pela professora de psiquiatria da Uerj e ex-diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad/Uerj) Maria Thereza de Aquino.
— Precisamos ter um acompanhamento desses menores até a maior idade — diz Bethlem.
Especialistas: opiniões divididas
    Há um ano em funcionamento, o programa de recolhimento de viciados da prefeitura fez 3.671 acolhimentos nas 77 operações realizadas, desde março do ano passado. Desse total, 552 são menores. Atualmente, há 119 menores abrigados compulsoriamente. A secretaria oferece quatro Centros Especializados de Atendimento à Dependência Química, que contam com 194 vagas para menores.
   Apenas os menores são internados compulsoriamente. Os maiores são convidados a ir ao um centro de acolhimento e só fazem o tratamento de desintoxicação de forma espontânea. Muitos aceitam a ir aos centros, onde recebem alimentação, tomam banho, mas, quando chega a crise de abstinência, voltam às ruas.
— Defendo a internação compulsória do usuário. Os maiores recolhidos, sem tratamento, voltam para o vício após uma crise de abstinência. Recolher maiores é como enxugar gelo — admite Bethlem.
    Favorável à política de internação compulsória de menores adotada pela prefeitura, Maria Thereza defende estender o atendimento aos familiares dos dependentes da droga:
— O pedido de socorro é também da família.
   Com a experiência de quem dirigiu o Nepad por 25 anos, ela considera ainda fundamental que, após a internação, o ex-viciado seja acompanhado:
— O apelo do crack é imenso. Um paciente meu me disse: "o crack é a estação final; quem fuma não é mais dono de nada". É difícil se manter sem a droga, que tem seus atrativos. A pessoa precisa aprender a lidar com a frustração; a entender que nem tudo o que quer, ela pode. Ou seja, perceber que, a longo prazo, vai ter prazer, ganhar auto-estima, saúde.
     O acolhimento compulsório divide os especialistas. O psiquiatra Marcelo Santos Cruz, que coordena o Programa de Estudos e Assistência ao Uso indevido de Drogas do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, por exemplo, é contrário ao método:
— Não podemos agir como perseguidores. Defendo ações de aproximação, a oferta de serviços de saúde e sociais para motivar os usuários. A pessoa tem que querer se tratar, para que o tratamento dê resultados. Algumas ações, realizadas por ONGs nas ruas, têm dado resultados.
    Já a advogada Margarida Pressburger, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, não questiona a internação compulsória, mas o tratamento atual:
— As pessoas estão sendo acolhidas em casas que não têm estrutura para tratamento. Além disso, após a internação, o ex-viciado precisa de acompanhamento.
    Membro do movimento Respeito é bom e eu gosto (Rebomeg), que defende políticas para pessoas com distúrbios psicossociais, Paulo Silveira também critica o tratamento oferecido:
— As casas da prefeitura teriam que oferecer ensino e educação continuados, o que não acontece. Além disso, o tratamento é feito por profissionais não qualificados. Há até casos de famílias que entraram na Justiça alegando que os filhos sofreram maus-tratos.
  Já o comandante do 3º BPM (Méier), tenente-coronel Ivanir Linhares, sustenta a importância de campanhas:
— Deveria haver campanhas preventivas para mostrar às famílias o mal que o crack ocasiona.
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JN 09/04/2012
reproduzida no Jornal O Globo  de10.04.2012, pg 16
Bandos assaltam cidadãos no Rio a poucos metros do comando militar
Os repórteres do JN encontraram uma Cracolândia na região que deveria ser uma das mais seguras da cidade.
Esta reportagem é o registro de uma equipe que voltou ao local em que esteve há quatro meses. Naquela ocasião, os repórteres mostraram bandidos fazendo vítimas à luz do dia em uma das principais avenidas do Rio de Janeiro. Agora, Eduardo Tchao e Júnior Alves encontraram uma Cracolândia na região que deveria ser uma das mais seguras da cidade.
Rio de janeiro, Centro da cidade. No vídeo ao lado, é possível ver o Comando Militar do Leste: é o quartel general do Exército, responsável pela defesa em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Ao lado, fica o prédio da Secretaria de Segurança do Estado. Colado à Central do Brasil, por onde passam, todos os dias, 600 mil pessoas que usam o trem. Na região, nasceu uma Cracolândia. Fica cheia a maior parte do dia. São homens, mulheres e crianças, que consomem a droga livremente.
Um menor fuma na calçada. As pessoas passam. Às vezes, soldados do Exército chegam com cassetete. Em um momento, eles repreendem o menino, que desaparece. Mas volta logo depois.
“Essa falta de noção faz com que ele volte ao vício, mesmo depois de assistido pelos diversos órgãos, que retornem para cá. E acaba sendo um problema contínuo que nós temos que enfrentar”, afirmou Antonio Machado Lamas , major do Comando Militar do Leste. Quatro meses atrás, o Jornal Nacional gravou uma série de assaltos a menos de 300 metros da Cracolândia. Os assaltos continuam, mas com uma diferença: os bandidos agora atacam também em bando.
A gangue tem pelo menos oito assaltantes. É formada por maiores e menores de idade. Um deles rouba o cordão de uma mulher, que ainda tenta reagir. Na maioria das vezes, a quadrilha atua em dupla. Em poucos segundos, um menor de camisa branca arranca a pulseira de uma senhora e corre. Um camelô ainda tenta segurá-lo, mas ele é mais rápido. O comparsa de camisa preta, que está na mesma calçada, puxa o cordão do pescoço de outra vítima.
Um menor troca de camisa para não ser reconhecido pela PM. Contamos pelo menos quatro diferentes.
Em uma cena, o ladrão esconde a pulseira roubada dentro da boca para não ser flagrado pela polícia.
De três meses para cá, a Polícia Militar pôs uma cerca de ferro nas calçadas e diz ter aumentado o patrulhamento. Mas os números mostram: em fevereiro de 2011, houve 70 roubos na região. Em fevereiro de 2012, foram 77. Os furtos passaram de 283 para 380.
“Só hoje, no policiamento que implantamos aqui, prendemos cinco menores. E vários deles tinham passagem pela delegacia. Só que é uma briga ingrata para a Polícia Militar, mas estamos todos os dias aqui tentando resolver esse problema”, declarou o Coronel Amauri Simões, comandante da PM do Rio.
A Secretaria de Segurança do Rio informou que, a partir de segunda-feira, policiais a cavalo vão reforçar o patrulhamento em torno da Central do Brasil.
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Jornal O Globo 18.03.2012
A crônica de um menor viciado em crack
Com um ano de ações, prefeitura estima em 150 os adolescentes dependentes na cidade
 LAURO NETO

   RIO - O adolescente X, de 14 anos, é viciado em crack desde os 10. Há 11 dias, ele foi recolhido por agentes da prefeitura numa cracolândia na favela do Jacarezinho e, há uma semana, está na Casa Ser Adolescente, uma unidade de abrigo compulsório da prefeitura para crianças e adolescentes dependentes químicos, em Campo Grande. Não é a sua primeira vez sob a tutela do município. Em quatro anos, X. passou 66 vezes pela Central de Recepção Carioca, responsável pela triagem dos menores acolhidos nas ruas.
O garoto é mais um no exército de menores de idade dependentes de crack no Rio. No próximo dia 31 de março, completa um ano que a prefeitura começou operações de recolhimento específicas para cracolândias. A partir daí, foram 3.579 acolhimentos. Desses, 544 foram de crianças e adolescentes, que, desde maio, são mantidos nos abrigos mesmo contra sua vontade, e só podem ser liberados pela Justiça.
Mas muitos fogem dos abrigos. Segundo o secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, há, no máximo, 150 menores viciados em crack nas ruas e em atendimento. Boa parte, reincidente. Muitos foram abrigados ao menos três vezes desde 31 de março. Ano passado, X. foi acolhido — e voltou às ruas — três vezes. No último dia 7, ao ser abordado por agentes da Secretaria Municipal de Assistência Social, no Jacarezinho, ele até cumprimentou a equipe.
— Já conheço todo mundo. Passei por todos os abrigos que existem — conta ele, rindo. — Fugi de um que ficava em Barra Mansa e voltei andando. Ano passado, pulei o muro do Ser Criança, peguei o trem e fui direto para o Jacarezinho.
‘Nossos abrigos não são presídios’, diz secretário
Desde que a prefeitura implementou o acolhimento compulsório, há dez meses, os menores só podem deixar o abrigo com aval da Vara da Infância e da Juventude. A medida gerou controvérsia. Para algumas entidades de direitos humanos, trata-se de uma agressão ao direito de ir e vir. Além disso, a Ordem de Advogados do Brasil (OAB) critica a estrutura do município para atender a essas pessoas. Mas o secretário Bethlem diz que é a única forma de combater o problema sem "enxugar gelo".
— Não há outra solução para salvar a vida de um garoto que passou 66 vezes pela nossa rede e continua na rua usando crack. Nossos abrigos não são presídios. Não tem polícia ou grade eletrificada. Mas acabou esse negócio de portas abertas, de entrar e sair a hora que quer. O grau de evasão está muito inferior.
Ao chegar à Central Carioca, logo após ser tirado do Jacarezinho, X. foi tomar um banho. O garoto, que usa pingente no pescoço com a palavra "rebeldes" — presente da namorada, também viciada em crack —, conta que já roubou várias vezes, para manter o vício.
— Já perdi a conta de quantas pessoas roubei para comprar a droga. Até um celular da minha mãe eu levei.
A mãe de X., segundo ele, mora no Morro dos Macacos, em Vila Isabel. A equipe do GLOBO tentou falar com ela, mas a prefeitura não conseguiu localizá-la. $próprio adolescente não a vê desde dezembro, quando foi liberado, temporariamente, para passar o Natal com ela e os cinco irmãos. X. conta que um outro irmão morreu na guerra do tráfico. O pai, diz ele, também está morto.
Ainda na Central Carioca, o dilema da diretora, Evelyn Serra, era decidir para onde encaminhar o menino, que já havia passado pelo acolhimento compulsório e por centros de atenção psicossocial:
— Ele tem um histórico de drogadição muito grande, já foi reintegrado à família e fica nesse ciclo: casa, rua, abrigo.
Segundo a prefeitura, os 20 menores abrigados na Casa Ser Adolescente têm assistência psicológica e pedagógica, com aulas de desenho, espanhol e de educação física. Junto dos colegas e observado pelos funcionários do local, X., que só estudou até a 2 série, garante que quer se recuperar.
— Não sei o que dá na minha cabeça quando fujo. Mas agora quero sair pela porta da $, de cabeça erguida. Só volto para casa quando estiver gordinho, como minha mãe me viu. Meu sonho é entrar para a Aeronáutica.
Diretora da Ser Adolescente, Maria Cruz estima que só 15% dos jovens que passam por lá se recuperam, mas diz que a evasão diminuiu. O histórico de X. mostra que 47 de suas passagens pela rede de acolhimento foram em 2009. Dez delas aconteceram em 2010. Desde 2011, quando começou o acolhimento compulsório, foram quatro. Mas $advogada Margarida Pressburger, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, critica a forma como é feito o acolhimento no município.
— Eu estive na Casa Viva, na Rua Alice, em Laranjeiras, e notei uma grande falta de estrutura médica e psicológica, tanto em termos de equipamento quanto de profissionais. Desse jeito, a prefeitura não está recuperando ninguém. Está apenas tirando das ruas, para a população não ver, e mantendo em cárcere.
A luta para deixar a droga no passado
Em dezembro, o governo federal anunciou um programa de enfrentamento ao crack com recursos de R$ 4 bilhões. Semana passada, a prefeitura de Recife e o governo pernambucano formalizaram sua adesão, e receberão R$ 85 milhões até 2014. Segundo o Ministério da Justiça, o estado e a cidade do Rio só não foram incluídos ainda por problemas de agenda das autoridades, já que a cerimônia de adesão envolve três ministros (Saúde, Justiça e Desenvolvimento Social), além do governador e do prefeito.
O objetivo do programa é permitir que viciados possam deixar para trás a droga. A carioca Bruna, de 18 anos, orgulha-se ao dizer que parou com o crack. Filha de uma família desestruturada, ela experimentou a droga aos 16. Em maio de 2011, foi encaminhada pela prefeitura para Centro de Tratamento Bezerra de Menezes, em Guaratiba. Uma das primeiras adolescentes a ser mantida compulsoriamente num abrigo, Bruna ficou cinco meses no local, até fazer 18 anos. Hoje, casada com um ajudante de cozinha e grávida, está livre do crack há dez meses. Ela sonha ser educadora.
— Antes, eu não aceitava que estava viciada — conta Bruna. — O abrigamento me ajudou muito, mas a realidade é aqui fora. Sempre que bate a fraqueza, ligo para o pessoal da Bezerra de Menezes. Noutro dia, vi parentes fumando crack e não tive vontade. Eu venci, e tenho esperança de que eles vão conseguir um dia.
Contudo, para o coordenador do Programa de Estudos e Assistência ao Uso Indevido de Drogas do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, Marcelo Santos Cruz, o acolhimento obrigatório é uma medida de eficácia questionável.
— Essa prática é uma resposta imediatista, que tem o resultado de diminuir a visibilidade do problema. Mas os efeitos desta política a médio e longo prazo são desconhecidos. — critica Cruz, que desenvolve uma pesquisa com 80 usuários de crack no Rio.
— Afastar os sujeitos das drogas e de outras situações de risco é uma coisa. Eles se tratarem é outra. É importante que a pessoa esteja motivada a parar de usar drogas.
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O Globo 12.01.2012
Contra o crack, Rio terá base nos moldes da UPP
Unidade de atendimento de usuários ocupará uma cracolândia, que ainda será definida 
CÉLIA COSTA
RIO - O modelo de ocupação e pacificação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) será implantado em uma das cracolândias do Rio ainda no primeiro semestre deste ano. O secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Betlhem, disse que a definição do local ainda está sendo discutida com o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. A ideia é entrar na cracolândia e montar uma base permanente para atendimento e encaminhamento dos dependentes de crack.
— Queremos entrar e ficar. A ação será nos moldes das UPPs. O local onde será montado o projeto piloto será definido pela Secretaria de Segurança Pública, porque precisaremos de policiamento permanente — explicou Betlhem.
A implantação da nova base de atendimento a usuários terá verba do programa de enfrentamento ao crack do Ministério da Saúde, lançado em dezembro de 2011. Depois de avaliado, o projeto deve se estender aos demais pontos de consumo da droga na cidade.
Na quarta-feira, 88 pessoas, sendo oito crianças e adolescentes, foram retiradas da cracolândia do Jacarezinho, na 17 operação realizada no local. Só no Jacarezinho, foram 1.139 pessoas acolhidas no ano passado. Durante a operação na área, a Polícia Civil apreendeu 42 pedras de crack. Os papelotes tinham a foto do jogador Ronaldinho Gaúcho, do Flamengo.
Os adultos foram levados para o abrigo de Paciência, mas não são obrigados a permanecer no local. Segundo assistentes sociais, eles apenas se alimentam, tomam banho, descansam e depois saem. Quase todos acabam retornando para a cracolândia. As crianças e os adolescentes foram para a Central de Recepção Carioca, no Centro, onde foram identificadas e depois encaminhadas para um dos quatro abrigos.
A secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki, esteve na cracolândia do Jacarezinho no dia 28 de dezembro. Dentro do programa do governo federal, que reforçou a integração com o município no combate ao crack, o Rio vai ganhar mais quatro abrigos para crianças e adolescentes.
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O Globo 07/12/2011
Operação contra o crack recolhe 89 pessoas no Rio

    Oitenta e nove pessoas foram recolhidas das ruas do Jacarezinho, zona norte do Rio, hoje, durante operação promovida pela Secretaria Municipal de Assistência Social para combater o consumo de crack. Os 82 adultos e sete adolescentes, considerados moradores de rua e usuários de crack, foram submetidos a triagem e encaminhados para abrigos municipais.
Adolescentes que forem identificados como dependentes químicos graves serão encaminhados para tratamento em uma das quatro unidades de abrigamento obrigatório. Durante a operação, que mobilizou 55 pessoas (33 policiais e 22 psicólogos, educadores ou assistentes sociais), foram apreendidos material para consumo de crack, facas e fogos de artifício. Essa foi a 14ª ação de combate ao crack realizada no Jacarezinho ao longo de sete meses.
Desde 31 de março a Secretaria de Assistência Social promoveu 59 ações de combate ao crack no Rio, recolhendo 2.944 pessoas (2.476 adultos e 468 crianças ou adolescentes). A operação com maior número de acolhimentos ocorreu em 22 de setembro, quando 167 pessoas foram recolhidas no Jacarezinho e em Manguinhos, também na zona norte.
A Prefeitura do Rio adotou há seis meses o abrigamento obrigatório para crianças e adolescentes encontrados em áreas de consumo de crack da cidade, modelo mencionado no programa federal anunciado hoje contra a droga. Atualmente, 104 pessoas estão internadas em quatro abrigos do município. "O usuário de crack não tem condições de avaliar se quer continuar usando drogas. Muitos desses jovens vão parar em uma cracolândia por falta de família para cuidar deles. Então, é dever do Estado intervir e zelar pela saúde dessas pessoas", diz o secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem.
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TV Band
A barbárie que a Pref RJ vem promovendo contra CRIANÇAS e ADOLESCENTES começa a ser mostrada.
Vale a pena assistir até o final, se seus corações permitirem.


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Depois de ver a matéria anterior fica difícil de entender a matéria seguinte realizada pelo Jornal da Band em agosto de 2011.


Jornal da Band: Saídas para o CRACK
Será que a saída é a mentira?
 Antes de lerem nossos comentários, é IMPRESCINDÍVEL que vejam o vídeo.


 Assistiram? 
Sugerimos que agora reflita conosco sobre as seguintes afirmações constantes na reportagem:


Acreditamos que essa matéria deixa algumas perguntas que mereçam ser respondidas.
Pela TV Bandeirantes:
1.       O que pode ter levado ao corpo de jornalistas da TV Band composto de profissionais como Ricardo Boechat, Fernando Mitre e tantos outros, a vincular uma matéria com tantos equívocos mesmo dispondo de farto material disponível na internet, em matérias jornalísticas diversas e em nosso blog (www.reBOMeg.com.br) e disponibilizadas por Paulo Silveira através de emails, conversas com integrantes da equipe, contatos esses que levaram a uma entrevista com Paulo, a qual consta na matéria (embora com sua fala colocada fora do contexto)?
2.      Por que, mesmo depois de terem sido exaustivamente alertados de tais equívocos por Paulo Silveira, membro do "respeito é BOM e eu gosto!", seja através de emails ou por telefone, não foi tomada nenhuma providência? Será que o que os leva a agir assim é a “certeza da impunidade dessa terra sem lei”?
3.      Qual seria a relação desse conjunto de equívocos com o fato de iniciar a matéria com uma entrevista absolutamente emotiva do "reencontro de uma mãe com sua filha que supostamente teria participado dessa farsa da Prefeitura", pré-dispondo o telespectador a crer no programa em questão?
4.      Por que o corpo de jornalistas da TV Band não se preocupou em esclarecer uma das muitas dúvidas que pairam sobre essa farsa da Prefeitura do Rio de Janeiro, como por exemplo:
  • quem eram e qual o destino foi dado para as 175 crianças (260 - 85), citadas na reportagem inclusive, que foram recolhidas pela Prefeitura e não foram confinadas?
  • por que elas não foram confinadas?
  • qual o critério adotado pela Prefeitura para determinar qual criança deve ou não ser confinada?
O mais estranho de tudo isso é que em junho de 2011, há aproximadamente 3 meses portanto, o Jornal da Band produziu uma EXCELENTE MATÉRIA que mostra a total falência do Serviço de Atendimento a Usuários de Drogas da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, ver a seguir.


Já quanto a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro... se não tem nada a esconder, se esse programa é digno (como todos nós gostaríamos que fosse) porque não:
1. repassaram informações verídicas para o repórter da Band?
2. sugeriram ao repórter da Band entrevistar cidadãos que tenham efetivamente vivido esse programa da Prefeitura RJ?
3. permitiram que o repórter da Band visitasse a Casa Viva da rua Alice, sobre o que existem inclusive videos postados por nós e que o jornalismo da Band teve acesso antes da reportagem?
video

Será que a SAÍDA para o crack é excluir ainda mais os já excluídos, roubar-lhes seus direitos e seu último tesouro, a "ESPERANÇA", e mentir para os demais?
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Jornal O Dia
Jornal O Dia 15.03.2012
Operação de combate ao crack recolhe 95 pessoas na Zona Norte
Rio -  A Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) realizou na manhã desta quinta-feira mais uma operação para retirada de população em situação de rua e de usuários de drogas das “cracolândias” das comunidades de Manguinhos, Mandela, Arara e Coreia, na Zona Norte. Ao todo, foram realizados 95 acolhimentos, sendo 83 adultos e 12 crianças e adolescentes. Essa foi a 13ª ação conjunta de enfrentamento ao crack realizada pela Prefeitura do Rio em 2012.
O secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, comentou o resultado da operação, que mesmo com apoio policial teve momentos de tensão. “Nossa entrada foi bastante difícil hoje. Os assistentes sociais da SMAS só puderam trabalhar com reforço de agentes de três batalhões desta área. O panorama que encontramos nas cracolândias de comunidades ainda não pacificadas é esse. Já fizemos 75 ações desse tipo desde março do ano passado e retornaremos a esta ou a qualquer outra comunidade enquanto a presença da Assistência Social se fizer necessária”.
A ação teve início às 7h e contou com o apoio de policiais dos 22º (Maré), 23º (Leblon) e 6º BPM (Tijuca). O trabalho de acolhimento foi realizado por 35 funcionários da SMAS, dentre assistentes e educadores sociais, psicólogos Na localidade foram apreendidas facas e material para consumo de crack.
Após o processo de identificação na polícia, todos serão encaminhados aos abrigos da rede socioassistencial do município. As crianças, em especial, irão para a Central de Recepção Carioca, onde serão avaliadas sobre a necessidade de abrigamento compulsório por uma equipe multidisciplinar formada por médico, assistente social, psicólogo, psiquiatra, enfermeiros e educadores sociais.
Desde o dia 31 de março de 2011, foram realizados 3.579 acolhimentos nas operações conjuntas em cracolândias da cidade do Rio de Janeiro (3.035 adultos e 544 crianças e adolescentes).
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UOL Notícias 06/08/2011
Forçados à internação, jovens dependentes de crack vivem rotina de disciplina em abrigo no Rio
Fabíola Ortiz
 “Quando eu falar já, joga o bambolê no chão, dá um pulo e grita: ‘eu sou feliz’.” 
É assim que começam as atividades no período da tarde no Centro Especializado de Atendimento à Dependência Química (CEADQ) Bezerra de Menezes, no Rio de Janeiro, que trata de menores usuários de drogas.
A brincadeira é encarada como disciplina. “Está faltando sorriso no rosto de vocês... 1, 2 e já...!”, exalta o palhaço Rogério Rodrigues, que consegue animar as meninas a participar dos jogos lúdicos. O bambolê é uma das principais armas no tratamento de jovens menores de 18 anos dependentes de crack.
É neste centro de atendimento à dependência química, localizado em Guaratiba, zona oeste do Rio, onde ficam abrigadas crianças e adolescentes pegos nas operações conjuntas da Secretaria Municipal de Assistência Social nas chamadas cracolândias –geralmente localizadas em favelas violentas.
O UOL Notícias visitou uma das quatro unidades de acolhimento compulsório da Prefeitura do Rio para onde são encaminhados os adolescentes menores de idade para internação forçada. Proposta semelhante é estudada em São Paulo.
Nas unidades do Rio, os menores só saem ao cumprirem 18 anos ou por determinação do juizado de menores após provar terem se livrado do vício com a comprovação de uma equipe multidisciplinar.
O crack é a principal dependência tratada no instituto. Aqui, quase todas as 40 meninas acolhidas têm um histórico de vício nesta e em outras drogas pesadas.
Rotina
O abrigo possui cerca de 30 profissionais que compõem uma equipe multidisciplinar de educadores, assistentes sociais e psicólogos. Construído num espaço arborizado, o local abriga duas casas que acolhem 20 crianças cada uma e conta com uma área de lazer.
Entre as atividades diárias estão oficinas de dança, canto, teatro, palhaço e momentos de discussão. A rotina é sempre a mesma para formação de hábitos: levantar às 7h30, arrumar a cama, cuidar da higiene pessoal, escovar os dentes e tomar banho.
A educadora Siomara Pimentel trabalha no abrigo há um ano e já trata de dependentes químicos há quase dez. Ela conta que as meninas chegam muito debilitadas das abordagens feitas nas ruas.
Muitas vêm infectadas com doenças sexualmente transmissíveis, além de doenças de pele, tuberculose e pneumonia. “Geralmente elas chegam tresnoitadas, dormem o tempo todo e têm problemas de saúde por causa do uso contínuo da droga. Elas precisam de um tempo até mesmo para se sintonizar. Na rua, o crack tira toda a fome, a sede, não se dorme, elas passam o tempo todo usando.”
Pimentel lembra que no abrigo tem horário para tudo. “Geralmente, lemos um texto para que elas possam refletir. Às sextas-feiras é o dia de visita”, afirma. São servidas cinco refeições diárias: o café da manhã, o almoço ao meio-dia, o lanche por volta das 15h30, o jantar às 18h e a ceia às 21h. Às 22h é hora de dormir.
A educadora afirma que, após ser liberada, a jovem tem que manter o tratamento fora para evitar recaídas.
“Comecei a namorar com o gerente da favela”
“Com 12 anos eu usava cocaína, loló [lança-perfume], maconha e haxixe. Depois parei de estudar na 8ª série, faltava à aula para ir à favela, comecei a namorar com o gerente da favela e a ir aos bailes funk. Ele usava muita cocaína e, de tanto vê-lo, eu experimentei e comecei a usar direto”, conta a adolescente B.S, 16 anos.
Há cinco meses no abrigo, B. passou por muitos momentos de dificuldade: antes de se tratar, ela ficou desaparecida por três meses sem dar notícias à sua família.
“Já aconteceu muita coisa comigo, antes de vir para cá em fevereiro, fiquei dois meses internada no hospital. Por efeito da droga, tive sete problemas de saúde. Meu pulmão esquerdo parou de funcionar, tive derrame na pleura, água no pulmão, na barriga, no coração, tive fígado grande e anemia profunda e desnutrição. Isso tudo num momento só, cheguei a pesar 29 quilos”, relembra.
Com pneumonia e tuberculose, B. foi encontrada pela mãe numa favela próxima ao bairro Senador Camará, na zona oeste do Rio, e levada para o hospital. Com a saúde recuperada, B. ainda toma medicamento para controlar a ansiedade. Ela teve dificuldades para se acostumar ao abrigo. “São muitas regras, na rua a gente não tinha isso. Quando eu sair, vou levar a disciplina comigo. Aqui a gente aprende, equilibra o pensamento e o corpo”, avalia.
“Quero ir embora”
Com uma filha de dois anos e sete meses, E.S, de 18 anos, foi recolhida em uma operação realizada em Manguinhos (zona norte), em junho, quando 58 pessoas foram retiradas das ruas. Ela era uma das dez crianças e adolescentes encontradas na cracolândia.
“Não adianta mentir, eu não sou uma usuária: eu sou uma viciada. Está sendo boa a experiência aqui, mas eu quero ir embora. A minha filha está entre a vida e a morte por causa de mim”, disse.
A adolescente usa drogas desde os 13 anos. “Fumei crack, depois experimentei loló [lança-perfume] no baile funk e foi quando eu comecei a fumar cigarro [mistura de maconha com crack] – tem também o capetinha, que é a nicotina do cigarro com o crack”, lembra.
Com a fala prejudicada, ela ainda não vai receber alta. Por ter completado a maioridade, deverá ser encaminhada para outro abrigo. “Desejo morar com a minha mãe e ser feliz com a minha família, não quero voltar para as drogas, se eu quisesse já teria fugido daqui”, disse. Recolhida da rua há cerca de um mês, entretanto, a menina afirma não se lembrar da última vez que esteve em casa.
A educadora Maria Helena de Sousa, que é recém chegada ao abrigo, conta ter vivido um histórico de vício na família. “Já tive experiência com a minha própria família, que era de usuários –minha irmã e minha mãe. Na época eu não pude ajudar, eu tinha quase 10 anos”, lembra.
Sousa afirma que usa sua experiência pessoal para incentivar as meninas. “Eu passo para elas que a vida não é fácil, mas não precisa ser tão difícil. Eu fui criada no meio das drogas, mas não deixei que me atingisse”, finaliza.
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UOL 26.01.2012
Ações de combate ao crack no Rio são insuficientes, dizem especialistas
Hanrrikson de Andrade
 
Operação em novembro de 2011 apreende armas e pedras de crack em favela na zona norte do Rio
O crescimento do comércio de crack no Rio de Janeiro e a proliferação das chamadas cracolândias, espaços ocupados praticamente 24 horas por viciados (popularmente chamados de “cracudos” ou “zumbis”), levaram o poder público a realizar desde março do ano passado mais de 60 operações a fim de retirar usuários da droga desses locais. Porém, segundo especialistas ouvidos pelo UOL, o modelo adotado para combater o consumo de crack no Rio é “insuficiente”.
Na terceira reportagem do especial sobre a epidemia do crack na cidade, os psiquiatras Jorge Jaber e Jairo Werner afirmam que “a demanda é maior do que a oferta de tratamento oferecida pelo poder público”.
“Essas ações não são suficientes para resolver ou minimizar o problema. São passos importantes porque dão início a uma atividade de prevenção e tratamento, mas não conseguem atingir um número suficiente de cidadãos. O modelo de enfrentamento do crack no Rio precisa ser melhorado com mais práticas médicas, mais modernas, a exemplo do que foi feito em Nova York, por exemplo”, afirma Jaber.
 “Nós não temos um modelo que seja adequado. O que está sendo feito é o necessário, e não o suficiente, tendo em vista o caos que a coisa estava se tornando. O poder público e a sociedade estão chegando a um consenso de que o problema do crack é inadmissível para uma cidade que tem uma oportunidade única de se organizar melhor”, disse Werner.
Segundo Jaber, que é especialista em dependência química pela Universidade de Harvard, além da expansão da rede de tratamento, o segundo ponto mais importante de um programa de enfrentamento do crack e de outros narcóticos é a redução da demanda de consumo.
“As operações nas cracolândias são importantes porque ajudam a reduzir a demanda. Se você reduz a demanda, diminui a quantidade de consumo, o número de vezes em que uma pessoa consome o crack, os prejuízos e os problemas ocasionados pelo consumo, a frequência do consumo e, enfim, os problemas relacionados ao uso. Isso está sendo feito. Mas precisamos expandir um poquinho mais.”
Jaber afirma ter rejeitado um convite da prefeitura do Rio para estar à frente da política municipal de combate ao crack, porém diz ter auxiliado na elaboração da atual política de combate ao crack.
“Auxiliei na montagem da atual estrutura de atendimento, visitei todos os albergues e constatei quais os locais que estavam aptos a receber essas crianças (grifos nossos). Mas não tenho experiência em atividade política, então não teria como juntar com a minha profissão, já que isso envolveria políticas partidária e de governo”, explicou o especialista.
De acordo com Werner, membro do Conselho Estadual de Políticas Álcool e Drogas, “muita coisa já estava atrasada, e ainda é preciso fazer uma articulação com outros programas”. O professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) defende uma maior integração entre as áreas da medicina, da segurança pública, da assistência social, entre outras, já que a epidemia do crack no Rio e no país constitui um “problema complexo e intersetorial”.
“Falta essa rede, essa articulação de ações dentro de um conjunto. Os trabalhos de assistência social precisam ser integrados com a área de saúde e de segurança pública, pois o problema é complexo e intersetorial. Envolve questões sociais, médicas, educacionais e outras. Não dá para isolar como se fosse só um problema da saúde ou da assistência social”, opinou.
Já a ex-chefe de Polícia Civil do Rio, Marina Maggessi, entende que o combate ao crack deve incluir não só a questão da construção de novas clínicas de recuperação, mas também a legitimação da internação compulsória para adultos -- no Rio, os menores cujo vício é constatado por meio de avaliação médica podem receber tratamento compulsório desde maio do ano passado.
“Eles não têm mais ideia do que estão fazendo, perderam todas as referências. Mas não se pode criar simplesmente um depósito de viciados, pois isso piora a situação. Realmente, a prefeitura tem que desenvolver um acompanhamento muito sério. Ainda estão tratando o crack como se fosse cocaína”, disse Maggessi.
Ocupação das cracolândias
No Rio, a situação do crack é tão crítica que o governo do Estado planeja instalar bases semelhantes ao modelo das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) nas regiões que concentram viciados em crack vivendo cotidianamente em condições impróprias, maltrapilhos e sob o efeito do entorpecente praticamente 24 horas por dia.
Tal realidade dá margem a cenários propícios a assaltos, roubos a transeuntes e homicídios, entre outros crimes. Em 2010, foram registrados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) mais de mil delitos relacionados ao crack.
Desses mil delitos, foram 139 autos de resistência (13%) e 81 tentativas de homicídio (7,6%), de acordo com o pesquisador Emmanuel Rapizo Caldas, autor da pesquisa “Análise das apreensões de crack no Rio de Janeiro”.
O projeto será custeado por meio do programa “Crack, Vencer é Possível”, anunciado há cerca de duas semanas pelo governo federal. A União vai investir mais de R$ 4 bilhões nos próximos dois anos em ações contra o crack em todo o país, que serão estruturadas em três eixos: prevenção, atenção e repressão. O Rio será o primeiro Estado a receber o dinheiro.
Na visão da presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), Analice Gigliotti, a ocupação permanente das cracolândias pode ser uma alternativa interessante no processo de combate ao crack, desde que os viciados retirados dessas áreas sejam encaminhados para centros de recuperação.
“A ocupação é um caminho. Na medida em que você ocupa, isso permite que as pessoas que vivem nessas áreas sejam identificadas, cadastradas e encaminhadas para locais adequados. A maior parte dos indivíduos que vive nessas cracolândias precisa ser internada”, disse.
Gigliotti, assim como os psiquiatras Jorge Jaber e Jairo Werner, também afirma que o Rio tem poucas clínicas especializadas em comparação com o número crescente de pessoas que se viciam no crack.
“Infelizmente, não temos clínica de internação em número suficiente para atender a demanda. Eu diria que estamos medianamente preparados para enfrentar esse problema. O poder público precisa construir mais clínicas para poder receber todos os que necessitam de ajuda médica”, disse.
Investimento
Atualmente, a prefeitura do Rio mantém cinco abrigos especializados no tratamento de usuários de drogas em toda a cidade, dos quais apenas um é exclusivo para menores de 8 a 14 anos. Trata-se do centro de recuperação Casa Viva, situado em Botafogo, na zuna sul.
Três abrigos estão instalados na zona oeste, sedo dois femininos e um masculino. Já o centro do Rio possui um único centro de recuperação, que atende apenas mulheres. Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social (Smas), os cinco espaços oferecem, no total, 178 vagas. O número só é considerado suficiente em razão da alta rotatividade.
A prefeitura estima que apenas 30% dos dependentes químicos retirados das ruas permanecem nos abrigos e seguem o tratamento oferecido, que foi elaborado de forma multidisciplinar. Além da fase de desintoxicação e acompanhamento psicológico, os pacientes também têm aulas de educação física, atividades artísticas, entre outros.
Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social (Smas), com a verba do programa “Crack, Vencer é Possível”, o governo municipal pretende abrir novas vagas nos centros de recuperação já existentes e reforçar as 14 equipes que atuam nas cracolândias, das quais uma por região.
Desde 2008, a prefeitura não cria novas equipes -- estas são formadas por assistentes sociais, profissionais de saúde e psicólogos.
Há mais de um ano, a SMAS vem realizando com frequência operações conjuntas para reprimir a proliferação das cracolândias e oferecer ajuda especializada aos usuários que perambulam por tais áreas. Entre março e dezembro de 2011, os agentes da secretaria recolheram mais de 3.000 usuários de crack, dos quais 2.580 adultos e 475 menores.
“Desde março do ano passado, realizamos 67 operações conjuntas em cracolândias da cidade do Rio de Janeiro. Esse é um trabalho de insistência e que engloba diversos setores das políticas públicas. Continuaremos com essas ações, sempre com o objetivo de salvar vidas”, afirmou o secretário de Assistência Social, Rodrigo Bethlem.
Internação compulsória
A internação compulsória de menores viciados em crack é considerada o principal trunfo do governo do Rio na luta contra a epidemia da droga. A partir da determinação, colocada em prática em maio do ano passado, os jovens só são liberados em caso de alta da equipe médica -- ou se a família provar que tem condições de oferecer a ele tratamento contra o vício.
Das 475 crianças e adolescentes que foram retirados das cracolândias no ano passado, cerca de 118 permanecem nos centros de recuperação em regime de internação compulsória.
A medida só se tornou possível a partir de uma nova interpretação do Estatuto da Criança e do Adolescente. “Uma vez que o consumo de drogas pode ser fatal, os órgãos públicos têm o dever de oferecer auxílio para os jovens que sejam dependentes químicos”, argumentou o Ministério Público na época da aprovação do projeto.
De acordo com Analice Gigliotti, o tratamento obrigatório por si só não garante resultados positivos, pois é fundamental que os jovens viciados em crack estejam em um “ambiente ressocializador”.“Eu sou favorável contanto que eles estejam em um ambiente ressocializador, já que não adianta trancafiar esses menores e não dar nada em troca. Se isso não for feito, eles vão continuar usando crack. O poder público precisa desempenhar um trabalho de assistência social muito intenso para que eles não voltem para a rua ao fim do tratamento.”
“Se o menor não consegue uma ocupação, acaba naturalmente sendo atraído pela droga”, afirma a presidente da Abead.
O psiquiatra Jairo Werner também afirma que a internação compulsória não pode ser tida como “a solução do problema em si”, e sim uma iniciativa interessante para que se inicie um trabalho adequado. O especialista destaca que, no Rio, as opiniões sobre a internação compulsória estão muito polarizadas, o que prejudica o debate.
“A internação é necessária na maioria dos casos, mas não é suficiente. Aqui no Rio, as pessoas são ou muito autoritárias ou muito permissivas. Não encontramos um meio termo, e dá a impressão de que gente ainda está naquela luta liberais contra conservadores. Temos que chegar a um consenso e enfrentar o problema com mais seriedade. Do contrário, esses indivíduos deixam as clínicas e volta aos mesmos locais, somados a outros que já passaram a viver naquela situação”, disse.
Já a ex-chefe de inteligência da Polícia Civil do Rio, Marina Maggessi, entende que a internação compulsória seja válida também para os adultos. A mesma opinião já foi compartilhada pelo secretário de Assistência Social da capital fluminense, Rodrigo Bethlem. No entanto, para tal, a prefeitura ainda depende de mudanças na legislação.
“Nada vai mudar se não tivermos a internação compulsória para maiores de idades. Que seja pelo menos por três meses. Vamos brigar judicialmente para que isso seja possível”, afirmou Maggessi.
De acordo com a policial, que hoje é deputada federal, os planos de saúde são obrigados a pagar a internação de qualquer pessoa que solicite à Justiça apoio contra o vício. “Basta chegar com um mandado de segurança que o plano é obrigado a pagar. Mas os planos só disponibilizam 15 dias de internação. Ninguém fica bom em 15 dias”, disse Maggessi.
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ATENÇÃO
As matérias a seguir mostram mais um aspecto da FARSA da Prefeitura do Rio de Janeiro, que, como elas relatam, recolhe os usuários de crack das ruas e os libera em seguida, registrando como se fossem fugas.
R7 | 29/09/2011
Prefeitura e polícia recolhem 75 moradores de rua em bairros do centro e zona sul
Ao todo, foram retirados 58 adultos e 17 crianças e adolescentes
A Secretaria Municipal de Assistência Social, em parceria com a Policia Civil, realizou na noite de quarta-feira (28) mais uma operação para retirar moradores de rua em bairros do centro e da zona sul. No total, foram 75 acolhimentos, sendo 58 adultos e 17 crianças e adolescentes.
A ação aconteceu entre 22h e 2h desta quinta-feira (29) e envolveu 80 profissionais - 40 policiais e 40 funcionários da secretaria, entre psicólogos, assistentes sociais e educadores sociais.
Além da DPCA (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente), a iniciativa também contou com o apoio dos policiais das delegacias do Catete (9ª DP), Botafogo (10ª DP), Copacabana (12ª DP) e Ipanema (13ª DP).
As equipes partiram da DPCA, no centro, e seguiram para o entorno da Central do Brasil, onde muitas pessoas dormiam na rua. No Largo do Machado, na zona sul, foram acolhidas dez crianças e adolescentes, a maioria com indícios de dependência química.
Os agentes também percorreram os bairros Catete, Glória, Flamengo, Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon, todos na zona sul.  Alguns adultos foram encontrados dormindo pelas ruas, dentro do túnel da rua Toneleiro, em Copacabana, e outros, embaixo de um viaduto na Lagoa.
Com eles a polícia encontrou cachimbos para o consumo do crack, facas, canivetes e medicamentos.
Após o processo de identificação na polícia, todos os acolhidos foram encaminhados para as unidades de abrigamento da Rede de Proteção Especial do município. Os adultos foram levados para o abrigo de Paciência e as crianças e os adolescentes para a Central de Recepção Carioca, no centro. Aqueles menores que forem identificados com alto grau de dependência química serão conduzidos para tratamento em uma das quatro unidades de abrigamento compulsório.
Desde o dia 31 de março, a secretaria realizou 1.779 acolhimentos (1.462 adultos e 317 crianças e adolescentes).
Assista ao vídeo: 
 
Uma criança visivelmente drogada foi recolhida na região da Central do Brasil, no centro do Rio. No Catete, na zona sul, as crianças tiveram que ser levadas no colo. Mais de 70 pessoas foram detidas na operação e entre os produtos apreendidos estavam ampolas de dipirona sódica, de efeito alucinógeno quando aspiradas. 
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G1 26/10/2011
Operação contra o crack recolhe mais de 50 pessoas no Jacarezinho
Eles serão identificados e levados para abrigos do Rio, diz Secretaria.
Crianças com alto grau de dependência farão tratamento compulsório.
A Secretaria municipal de Assistência Social (SMAS) recolheu 42 adultos e 9 crianças e adolescentes numa operação para retirada de população de rua e combate ao crack realizada na manhã desta quarta-feira (26) no Jacarezinho, no subúrbio do Rio.
Durante a ação, segundo os agentes, foram disparados tiros na comunidade. Eles apreenderam no local fogos de artifício, facas e material para consumo de crack.
Os recolhidos serão identificados na polícia e depois irão para abrigos da Rede de Proteção Especial do município: os adultos vão para o abrigo de Paciência e as crianças e os adolescentes para a Central de Recepção Carioca, no Centro. Os menores com alto grau de dependência química serão levados para abrigos para tratamento compulsório.
Participaram da operação 35 funcionários da SMAS, entre psicólogos, educadores e assistentes sociais. Eles tiveram apoio de 30 policiais do 3º BPM e de 13 agentes da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Foi a 11ª ação conjunta de combate ao crack da SMAS no Jacarezinho em seis meses.
A Secretaria informou ainda que desde o dia 31 de março já recolheu 2.310 pessoas (1.927 adultos e 383 crianças e adolescentes) em diferentes pontos da cidade.
Recolhidos no Centro
No dia 18 de outubro, numa operação semelhante no Centro do Rio, 68 pessoas foram recolhidas, sendo 54 adultos e 14 menores.
As equipes da SMAS percorreram o entorno da Rodoviária Novo Rio, Central do Brasil, Terminal Rodoviário Américo Fontenele, além do Largo de São Francisco e bairros da Gamboa e Saúde.
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O Estado de S.Paulo – 11/09/2011
Os meninos que o Rio arrancou do crack
Como vivem e onde estão crianças que a prefeitura tira à força de cracolândias
Márcia Vieira
A maioria é negra. 
Todos são viciados em crack. 
Muitos têm 16 anos, mas são tão raquíticos que parecem ter 10. 
Um ou outro sabe ler. 
Alguns representam a terceira geração de moradores de rua. 
Seus depoimentos relatam abusos sexuais, prostituição, abandono, surras de traficantes, morte precoce de amigos. 
Quase todos têm doenças de pele. 
Alguns estão com os pulmões comprometidos pelos efeitos do crack.
 
Marcos de Paula/AE
‘Não pode matar, tia?’. Adriano tem 12 anos e foge desde os 7 de casa
Há 100 dias, quando a prefeitura do Rio determinou a internação obrigatória das crianças pegas em cracolândias da cidade, 85 meninos, entre 10 e 17 anos, vivem em quatro abrigos. Raros são os que sabem onde mora a mãe. São tão carentes que abraçam, beijam e pedem para ser beijados por quem quer que apareça nos abrigos. A maioria parece não entender o que se fala com eles. Com cinco minutos de conversa, os mais desinibidos pedem: "Tia, me tira daqui?" Não que tenham para onde ir. Dos oito meninos internados no abrigo Casa Viva, apenas quatro tiveram as famílias localizadas pela prefeitura. Na Casa Ser Criança, cinco dos 15 internados recebem visita de parente.
Alguns meninos ainda não se livraram do hábito adquirido na rua de tomar coisas de quem passa por perto. Tem os que pedem e os que pegam. Duas meninas do Casa Viva aproveitaram o efeito perturbador que suas histórias causaram no correspondente do jornal Los Angeles Times e pegaram o gravador do jornalista. Funcionários recuperaram o aparelho.
Polêmica. A decisão inédita no País - recolher com a ajuda da polícia e internar obrigatoriamente meninos pegos na rua usando crack - causou polêmica.
A discussão ficou mais intensa há 40 dias. Acompanhados da ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e dos conselhos regionais de enfermagem, psicologia e assistência social visitaram os abrigos da Secretaria de Assistência Social, e não gostaram do que viram.
"O abrigo parece depósito. Os garotos estão sendo desintoxicados na marra, tomam remédios. Não existe um protocolo de atendimento", denuncia Margarida Pressburger, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB.
"Há grupos que torcem para que dê errado. Se eu colocar as crianças no Hotel Copacabana Palace, vão achar pouco", reage o secretário de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, que assumiu o cargo no início do ano.
Dois abrigos visitados pelo Estado - o Casa Viva, administrado pela prefeitura, e o Ser Criança - estão longe de ser um hotel cinco-estrelas. O primeiro, em Laranjeiras, na zona sul, é uma casa pequena de dois andares. A única área externa é um terraço modesto. Não há TV desde que foi quebrada em um acesso de fúria por uma menina. As crianças não estudam. Na última terça-feira, uma equipe da Secretaria de Educação foi até a casa para planejar como funcionará a sala de aula. Na semana que vem, começarão a aprender judô.
Até a visita dos conselhos regionais, duas meninas viviam na casa com meninos. Em um quarto, conviviam garotos de 8 e outros de 14. O atendimento médico e psicológico era feito duas vezes por semana. Há apenas uma semana, uma pediatra começou a dar plantão diariamente na Casa Viva. Na quinta-feira, os meninos foram ao Hospital Pinel, centro de referência em saúde mental, para consulta com um psiquiatra.
Os beliches foram trocados por camas. O cigarro, usado em uma tentativa de reduzir danos da síndrome de abstinência, foi substituído pelo doce e pela pipa. A medicação para controlar a ansiedade vai ser substituída aos poucos. Na Casa Viva só poderão ficar medicamentos para situações de emergência.
O convênio com as Secretarias de Educação e de Saúde por enquanto só está sendo colocado em prática com os oito meninos internados no Casa Viva. Os outros 77 continuam nos três abrigos na zona oeste, administrados por ONGs, sem esta cobertura. Cada criança custa à secretaria cerca de R$ 2.300,00 por mês.
O Ser Criança, em Pedra de Guaratiba, ganha do Casa Viva em espaço. A casa é modesta, mas fica em uma região rural e tem quintal. O atendimento médico, porém, é mais precário. A consulta com a psiquiatra é feita apenas duas vezes por semana.
Uma professora vai uma vez por semana para tentar ensinar alguma coisa aos meninos. Segundo Vatusy Ramos, coordenadora do local, nos outros dias eles têm capoeira, teatro e educação física. Falta estrutura, mas a dedicação dos funcionários é comovente. "A gente tenta encher a mente deles. Conversamos muito. Aos domingos, às vezes a gente vai para algum sítio", conta ela.
"Estamos trocando pneu com o carro andando", diz Bethlem. "No Brasil não há expertise para tratar esses meninos usuários de crack. Mas é melhor fazer como estamos fazendo ou deixar essas crianças na rua com risco de morrer?"
Maria Thereza Aquino, que dirige há 25 anos o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas, ligado à Universidade do Estado do Rio, não tem dúvidas. "Deve haver erros, mas as crianças certamente estão muito melhor do que na rua."

Duas perguntas para Analice Gigliotti, psiquiatra
1.A internação compulsória pode salvar essas crianças? 
É melhor elas serem acolhidas do que estar na rua. Mas desse jeito não vai funcionar. Precisa ter mais recurso e uma supervisão psiquiátrica especializada. O trabalho com dependente químico é multidisciplinar. É preciso ter psiquiatra, psicólogo, assistente social, clínico, fonoaudiólogo. Os meninos são impulsivos e carentes. Eles carregam muita dor. Já sofreram tanto que a rua para eles é melhor do que a casa onde moravam.
2.Como tratar os meninos? 
Acolher dando atividades lúdicas pode ser muito bom. Eu visitei a Casa Viva. É um lugar muito pequeno. Tem pouca atividade lúdica. Não é um lugar agradável. Eles precisam de piscina, de esportes. Eles não podem ficar confinados em uma casa. Eles têm de ser acompanhados por anos. Dependência química é uma doença crônica, como diabetes e hipertensão. Não existe ex-dependente. Mas é totalmente possível não voltar a fumar crack. O pior problema desses meninos não é o crack. É a vida deles. 
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R7 | 28/08/2011
Prefeitura do Rio retira 15 pessoas da cracolândia do Parque União
Todos os adultos foram encaminhados para abrigos
A Prefeitura do Rio de Janeiro, por intermédio da Secretaria Municipal de Assistência Social, retirou 15 adultos da cracolândia do Parque União, no Caju, zona norte, durante operação realizada sábado (27).
A ação foi realizada em conjunto com o Batalhão da Maré (22º BPM) e a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. 
Vale ressaltar que a secretaria está realizando operações diárias no Parque União desde a última quarta-feira (24). Após identificação na policia, todos os adultos foram encaminhados para as unidades de abrigamento municipal.
Na última sexta-feira (26), as equipes também percorreram a Lapa e acolheram oito menores em situação de rua, o que representou uma redução de 82%, de acordo com a última operação realizada no bairro.
Desde o início das ações conjuntas, em março, a secretaria já realizou 30 operações nos principais pontos de consumo de drogas do Rio. No total, 1.488 pessoas foram retiradas das ruas (1.219 adultos e 269 crianças e adolescentes).
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O Globo 27/07/2011
Ações anticrack: secretário de Assistência Social estuda transferir abrigo Casa Viva, em Laranjeiras, para imóvel maior
 
Sérgio Ramalho
RIO - O secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, anunciou na terça-feira que está em estudo a transferência da Casa Viva - atualmente em funcionamento num sobrado na Rua Alice, em Laranjeiras - para um imóvel maior, com instalações adequadas à recuperação de crianças e adolescentes dependentes de crack. O novo espaço contará com área de lazer e salas para atividades educacionais. Após visita ao abrigo de Laranjeiras, inaugurado em maio passado, a presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, Margarida Pressburger, criticou a falta de salas de aula e espaço para práticas de esportes na unidade.
Rodrigo Bethlem admite o problema, mas ressalta que o espaço foi criado com o objetivo de receber menores, com idade entre oito e 14 anos, para iniciar um programa de desintoxicação:
- Nessa fase, esses jovens passam a maior parte do tempo sob cuidados de médicos e psiquiatras, pois apresentam frequentemente síndrome de abstinência. Durante os surtos, eles gritam, ficam agressivos e precisam ser medicados. É um período de desintoxicação. Mas é claro que passada essa fase, eles terão aulas e oficinas para serem reinseridos na sociedade - afirma.
Procurador é favorável à internação compulsória
Na última quinta-feira, o procurador-geral de Justiça, Claudio Lopes, e promotores de Justiça da Infância e Juventude, do Idoso e da Tutela Coletiva da Cidadania estiveram reunidos com o prefeito Eduardo Paes, Bethlem e Hans Dohmann, secretário municipal de Saúde. O objetivo era expor as irregularidades encontradas na Casa Vida e definir os detalhes para assinatura de um termo de ajustamento de conduta (TAC) que vai adequar os serviços de abordagem e acolhimento de crianças, adultos e idosos em situação de risco nas ruas.
Na ocasião, representantes da Promotoria de Justiça da Infância e Juventude disseram ter encontrado problemas durante inspeções na Casa Viva e cobraram a adoção de medidas para solucioná-los. Mesmo afirmando ser favorável à internação compulsória, Cláudio Lopes destaca a importância de se dar atenção a todas as etapas do processo de tratamento dos dependentes, que devem estar de acordo com as leis. O procurador-geral cita, entre as medidas importantes, a necessidade de uma interlocução com o Programa Saúde da Família, o cadastramento dos usuários da rede sócio-assistencial, programas de educação e a qualificação profissional das pessoas abrigadas e também de transferência de renda dos governos estadual e federal. Bethlem confirmou que as medidas serão adotadas com a assinatura do TAC, que deve acontecer até a próxima semana.
A abordagem aos adolescentes dependentes, que são submetidos à internação compulsória, também preocupa a Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Em nota, o órgão chama a atenção para o fato de crianças e adolescentes serem abordados por educadores, acompanhados de policiais, e depois encaminhados imediatamente para a delegacia, mesmo sem flagrante delito. A Secretaria de Direitos Humanos sugere a revisão do protocolo do serviço especializado em abordagem social.
Por meio da assessoria, a secretaria afirma ainda estar acompanhado a ação da prefeitura, tendo visitado um dos abrigos e participado de duas audiências públicas e reuniões com equipes municipais. Apesar das críticas, o órgão reconhece os esforços da prefeitura para enfrentar a realidade de violação de direitos de crianças e adolescentes de rua com histórico de uso de crack.
Para a secretaria, o procedimento adotado no Rio não contraria o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), uma vez que a medida protetiva de acolhimento está prevista no artigo 98. Além disso, a ação tem sido respaldada por autorizações judiciais que estabelecem que o acolhimento institucional seja uma medida provisória e excepcional. Outro aspecto defendido é o acompanhamento periódico dos abrigados para analisar condições de reintegração familiar e comunitária.
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O  Dia 26.07.2011 
RIO: Moradores de Laranjeiras reclamam de maus tratos em abrigo
Moradores de Laranjeiras, na zona sul do Rio de Janeiro, entregaram um abaixo-assinado à Justiça pedindo o fim dos maus tratos que estariam sendo cometidos na Casa Viva, na Rua Alice, no mesmo bairro. A instituição abriga crianças e adolescentes em situação de risco e usuários de drogas, como o crack. No sábado, a promotora de Justiça Ludmilla de Carvalho Mota, solicitou à Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Decav) abertura de inquérito para apurar as denúncias e uma vistoria no local.
Segundo os moradores, os internos tentaram fugir do local no início da noite desta segunda-feira, mas foram contidos pelos funcionários. Na semana passada, promotores do Ministério Público fizeram inspeção na instituição e cobraram providências da prefeitura, que se comprometeu a melhorar o serviço até o fim da semana. A ONG Organização de Direitos Humanos Projeto Legal (ODH-PL) solicitou ao Comitê de Prevenção e Enfrentamento a Tortura do Rio de Janeiro visita urgente de fiscalização no local.
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Jornal O Globo 25/07/2011
Internação obrigatória de menores viciados em crack provoca reações na OAB e em conselhos de enfermagem e assistência social
 
Sérgio Ramalho
RIO - Por trás da fumaça do crack, uma polêmica incendeia o debate em torno da internação compulsória de crianças e adolescentes dependentes da droga. De um lado, representantes de entidades de direitos humanos e dos conselhos regionais de enfermagem, assistência social e psicologia criticam a medida, classificada como "inconstitucional e de faxina da cidade". No outro extremo está o secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, que taxa de demagogos os críticos da medida. A internação obrigatória, definida em comum acordo com o Ministério Público estadual e a Vara de Infância e Juventude, já levou 82 jovens dependentes para unidades de tratamento desde maio.
Para a presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Margarida Pressburger, a portaria que instituiu o abrigo compulsório de jovens dependentes é inconstitucional. Mas sobretudo, na opinião dela, não garante tratamento adequado às crianças e aos adolescentes recolhidos nas ações conjuntas da prefeitura, com apoio das polícias Civil e Militar e da Guarda Municipal.
Margarida ressalta que, durante visita a um desses abrigos, o Casa Viva, em Laranjeiras, na última quinta-feira, descobriu que o espaço não conta com sala de aula ou área de lazer para os abrigados.
- Temos recebido ainda relatos sobre agressões sofridas por esses jovens dentro dos abrigos - afirma a presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB.
Ela afirma ter sido informada que os jovens passam boa parte do tempo medicados, com remédios de tarja preta e sem acompanhamento adequado.
- A visita foi agendada para receber a ministra dos Direitos Humanos e presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Maria do Rosário. Na ocasião, a equipe de acompanhamento médico e psiquiátrico estava presente, mas um dos profissionais admitiu que foi contratado por uma ONG, que não soube dizer o nome, para fazer dois plantões semanais na Casa Viva - disse Margarida.
Estatuto é citado pelos dois lados
Margarida ressaltou que tanto a ministra Maria do Rosário quanto a secretária Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, Carmem de Oliveira, são contrárias à medida que instituiu a internação compulsória. Em nota, a secretária Carmem Oliveira afirmou que a iniciativa fere o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Na tarde de segunda-feira, durante evento onde foi lançado na sede da OAB o manifesto "Recolher não é acolher", contra a internação compulsória, representantes de conselhos regionais apontaram outras irregularidades. A fiscal do Conselho Regional de Enfermagem, Kátia Calegaro, disse que, durante vistoria nos abrigos SerCriança e Bezerra de Menezes, em Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste, não foram encontrados kits de reanimação e nenhum enfermeiro se responsabilizava pelo acompanhamento dos jovens.
- A existência desses kits é muito importante em casos de emergência, que podem acontecer devido a possíveis reações dos dependentes ao tratamento de desintoxicação. Nessas situações, por exemplo, o paciente pode apresentar uma parada cardiorrespiratória e, por isso, o abrigo tem que estar equipado com aparelhos para reanimar o paciente - justifica Karla.
A fiscal do Conselho Regional de Enfermagem relatou ainda casos de jovens dependentes que estariam recebendo medicamentos e seria necessário o acompanhamento médico e psiquiátrico por 24 horas.
O presidente do Conselho Regional de Assistência e Serviço Social, Charles Toniolo também criticou os métodos adotados a partir do protocolo que permite a internação compulsória de crianças e adolescentes dependentes em crack:
- Sabemos que esse é um problema sério. Mas não será com o confinamento de jovens em instituições inadequadas que a situação será solucionada - acredita.
O secretário Rodrigo Bethlem defende a iniciativa e ressalta que apenas crianças e adolescentes com histórico de uso compulsivo de crack - após análise de médicos e psiquiatras - são levados aos abrigos. Bethlem não esconde a irritação:
- São uns demagogos, que defendem o direito de ir e vir de crianças e adolescentes, que vivem abandonadas nas cracolândia. Ninguém faz nada por esses jovens enquanto estão jogados nas ruas. Estamos apenas cumprindo o dever de proteger esses jovens, como determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - afirma.
Bethlem acrescenta que desde de maio, quando foi instituído o novo Protocolo de Abordagem Social, que determina o abrigamento compulsório de jovens com alto grau de dependência química, apenas 82 das 245 crianças e adolescentes recolhidos foram levados aos quatro abrigos conveniados pela Secretaria municipal de Assistência Social. O número, segundo ele, derruba a tese de "faxina" ou "higienização" descrita pelos críticos.
O secretário ressalta que todo o trabalho vem sendo acompanhado por promotores e pela Vara de Infância e Juventude para evitar irregularidades e abusos contra os jovens levados a tratamento:
- Estamos lidando com um problema muito grave. Essas crianças e adolescentes chegam aos abrigos com uma série de problemas, além da própria dependência em crack. Entre os abrigados, por exemplo, há uma menina de 12 anos, que é soropositiva. Antes de ser recolhida, ela vivia pelas ruas. E, pelo que me consta, não recebia ajuda de ninguém. Agora, ela está sendo submetida a tratamento médico. Quem critica essa iniciativa não conhece uma pessoa com dependência em crack - diz ele.
Segundo Bethlem, atualmente a secretaria oferece 145 vagas, sendo 120 nos três Centros Especializados em Atendimento à Dependência Química, em Pedra de Guaratiba; e 25 na Casa Viva, em Laranjeiras.
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G1 19/07/2011
Prefeitura faz oitava operação contra crack no Jacarezinho, no Rio
Com apoio das polícias, esta é a 20ª ação para recolher usuários na cidade.
De março a julho, mais de mil usuários foram retirados das ruas.
A prefeitura do Rio, por meio da Secretaria de Assistência Social e com o apoio das polícias Militar e Civil, faz nesta terça-feira (19) a oitava operação de combate ao uso e venda de crack na Favela do Jacarezinho, no Jacaré, no subúrbio do Rio. Este é a 20ª operação deste tipo realizada na cidade desde o dia 31 de março.
De acordo com dados da prefeitura, até agora já foram retirados das ruas 1.194 usuários da droga, sendo 230 deles crianças e adolescentes.
A última operação feita no Jacarezinho foi no dia 13 de julho, quando os agentes da Secretaria foram recebidos com pedradas. No dia, foram apreendidas facas, tesouras, bombas de fabricação artesanal e munição.
Desde a entrada em vigor da internação compulsória, 82 crianças e adolescentes e três mulheres grávidas já foram abrigados em unidades de tratamento no Rio.
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R7  16.07.2011
Internadas em abrigo do Rio, crianças usuárias de crack pedem para estudar
Mariana Costa
Entidade ainda não prevê atividades escolares durante internação
Foi por meio de um simples caderno e um estojo de lápis coloridos que crianças usuárias de crack recolhidas pela Prefeitura do Rio descobriram uma oportunidade para reescrever as próprias histórias, perdidas nos anos de vício e na dura vida nas ruas.
O material escolar enviado pela Secretaria Municipal de Educação para as oficinas da Casa Viva, abrigo considerado modelo criado após a adoção da internação obrigatória de menores na capital, despertou nos 11 meninos e meninas que vivem no sobrado de Laranjeiras (zona sul) a vontade de voltar para a sala de aula.
Embora a maioria das crianças e adolescentes em tratamento para desintoxicação já tenha frequentado a escola, o vício e a vida nas ruas fizeram com que muitas delas perdessem os vínculos com a família e com a vida escolar, referências fundamentais para um indivíduo em formação.
A vontade de estudar manifestada pelas crianças levou a Secretaria Municipal de Assistência Social, que coordena o projeto, a considerar a possibilidade de oferecer oficinas ou aulas especiais de português e matemática na Casa Viva. O abrigo, que não permite que as crianças saiam para ir à escola, não previa atividades escolares. O período de internação compulsória varia de 45 dias a oito meses, conforme a relação de dependência verificada.
Coordenadora de sete abrigos municipais, a assistente social Cláudia de Castro diz que os menores relatam sentir saudades da escola. Segundo ela, a secretaria avalia se vai contratar professores ou buscar parceiros para ministrar as aulas. Uma das dificuldades é que as crianças e adolescentes – com idades entre dez e 15 anos – têm níveis diferentes de aprendizado e a maioria sequer sabe até que série cursou.
– Mudamos o plano de ação, porque percebemos um grande interesse. Hoje temos atividades de teatro, judô, boxe e mágica. Mas, com o passar do tempo, eles manifestaram a vontade de estudar. Como não podem frequentar a escola, pensamos em oferecer oficinas.
Cláudia explica que nos demais abrigos para menores viciados em que há permissão para sair, alguns internos frequentam a escola, mas “leva tempo para inseri-los”. Para estimular os estudos, a Prefeitura do Rio oferece estágios para os que estão abrigados há mais tempo e frequentam a escola.
Resgate da infância
Além da vontade de estudar, os internos em tratamento também expressaram desejos como comer chocolate e praticar esportes. Diretor da Casa Viva, o psiquiatra Ademir Treichel conta que tem comprado “umas 30 barras de chocolate por semana” depois que descobriu o prazer que as crianças sentiam em comer o doce à vontade. 
– O que buscamos aqui é resgatar a infância perdida. Deixamos que comam à vontade e se lambuzem. Além desse resgate, há a própria sensação de prazer que o chocolate proporciona. 
As crianças também vão a passeios organizados pela secretaria, que já promoveu idas ao circo e uma partida futebol entre os meninos da Casa Viva e os que vivem em um outro abrigo da zona oeste do Rio.
Consultor voluntário da Prefeitura do Rio para a reabilitação de dependentes químicos, o psiquiatra Jorge Jaber afirma que o mais importante é preparar a saída dessas crianças após o tratamento contra o vício, um desafio grande para aqueles que muitas vezes não tiveram os seus direitos fundamentais respeitados desde os primeiros anos de vida. 
– O mais importante é conseguir preparar a saída, com estudo profissionalizante ou cultural que permita a ele ser um sujeito com conteúdo, com esperança de fazer algo. Fazer com que desejem ser alguém.
A maioria das crianças chega aos abrigos com o que os especialistas chamam de “doenças oportunistas”, como tuberculose e doenças sexualmente transmissíveis, já que mesmo com a pouca idade, muitas já têm vida sexual ativa. Com tratamento médico e alimentação regrada, em pouco tempo elas ganham peso e adquirem aparência mais saudável em comparação com a degradação física causada pelo crack, considerado 40 vezes mais nocivo que a cocaína.
Por trás da aparência brutalizada, as crianças revelam histórias ingênuas e com final feliz nas oficinas de teatro. A atriz Laíssa Sarmento, que trabalha voluntariamente ao lado do também ator Ricardo Lacerda, criou uma brincadeira em que as crianças são estimuladas a dar continuidade a uma história. Ela esperava relatos de violência, mas acabou se surpreendendo com a ingenuidade dos desfechos criados pelos internos.
- Achei que iam contar histórias violentas, mas o que surgiram foram histórias super pueris, infantis mesmo.
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R7 | 16/07/2011
Rio interna à força usuários de crack sem ter padrão de tratamento
Prefeitura recolheu 82 menores desde maio, quando medida compulsória passou a valer
Gabriela Pacheco
Desde 30 de maio passado, a Prefeitura do Rio de Janeiro interna, de modo compulsório, crianças e adolescentes viciados em crack e outras drogas. Entretanto, apesar de já ter 82 menores de idade internados, a administração municipal ainda não tem um planejamento definido sobre como tratá-los.
O secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem reconhece que a prefeitura não tem uma "fórmula mágica" para reabilitar os usuários de crack e que a administração está em fase de testes sobre quais atividades funcionam no tratamento. Ele admite que o modelo de tratamento para reabilitação de dependentes de crack está em construção no Rio.
- O crack é um assunto relativamente novo no Brasil. Ninguém tem fórmula mágica. Buscamos em todo o país exemplos de sucesso. Estamos engatinhando, estamos aprendendo.
Conveniada à prefeitura, a Casa Viva, em Laranjeiras (zona sul do Rio) é apresentada como modelo de abrigo público especializado em recuperação de dependentes químicos. Sem uma rotina fixa, 11 menores de idade, de dez a 15 anos, são acompanhados por enfermeiros, terapeutas ocupacionais e um psiquiatra, que é o diretor da entidade.
O grupo, encontrado em diferentes bairros da capital fumando crack, passou antes pela Delegacia da Criança e do Adolescente para identificação. Em seguida, foi levado ao Centro de Recepção Carioca, onde profissionais constatam se há dependência de drogas. A partir daí, ou o menor é encaminhado a entidade voltada a usuários ou vai para abrigos convencionais. A princípio, o menor de idade fica 45 dias internado. Entretanto, segundo a secretaria, pode passar até oito meses sob tratamento obrigatório, se o caso for grave.
De acordo com especialistas, o tratamento de viciados requer mais que a desintoxicação. A professora de psiquiatria da UFRJ Magda Vaissan explica que são necessárias uma equipe de profissionais, atividades físicas e oficinas de arte durante a reabilitação.
- É preciso motivar o usuário para que ele queira deixar o crack. O abrigo não deve ser uma prisão, por isso devem ser proporcionadas atividades.
A reportagem do R7 conheceu a Casa Viva. O imóvel tem três andares, é limpo e arrumado, com uma pequena área externa. Entretanto, a falta de espaços que permitam brincar livremente ou praticar esportes chama a atenção.
Os internos da Casa Viva têm duas oficinas - de boxe e de teatro. Segundo a direção do abrigo, um casal de atores se voluntariou para dar as aulas de teatro. Mesmo com essas atividades, não há um planejamento. O psiquiatra Jorge Jaber, consultor voluntário da prefeitura, explica que ainda não foi feita uma sistematização do atendimento ao usuário de crack.
- Seria bom criar um instituto que acumulasse as informações dos abrigos para saber que tratamentos e atividades se adequaram bem à realidade do Rio. Ainda não foi posta em prática uma sistematização de tratamento.
Jaber também afirma que é importante capacitar as pessoas que cuidam das crianças no dia a dia.
Investimento e custos
A partir deste ano, a Secretaria Municipal de Assistência Social tem R$ 8 milhões a mais no orçamento, totalizando R$ 23 milhões. A internação de cada menor de idade acolhido compulsoriamente custa R$ 2.500 por mês ao município. Caso as 145 vagas disponíveis no sistema sejam ocupadas - ao todo, há quatro abrigos para menores dependentes de drogas na capital -, o custo total será de R$ 310 mil por mês e R$ 3,6 milhões ao ano.
A reabilitação em abrigos públicos pode ser uma alternativa aos altos valores cobrados em clínicas particulares. Na Saint Roman, em Santa Teresa (centro), uma diária, apenas com os serviços de hotelaria, sem contar os exames médicos e o trabalho da psiquiatria, custa R$ 480 em apartamento individual, e R$ 395 em quarto duplo.
Na clínica Vila Serena, no Maracanã (zona norte), que possui convênio com empresas como a Petrobras, a diária custa R$ 357 e a semana, R$ 2.449. Entre os serviços oferecidos, estão palestras, dinâmicas em grupo, plano individualizado de tratamento, educação física e programa de reinserção familiar.
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R7 | 05/07/2011
Tratamento obrigatório para crianças dependentes de crack no Rio é alvo de duras críticas de especialistas
Tratamento obrigatório de crianças e jovens viciados em crack em abrigos, projeto implementado pela Prefeitura do Rio há cerca de um mês, foi alvo de duras críticas feitas por representantes de 85 entidades de defesa dos direitos das crianças e dos conselhos regionais de Psicologia e Serviço Social durante uma reunião realizada na tarde desta segunda-feira (4).
Em maio, a Prefeitura do Rio criou o "Protocolo de Abordagem à Pessoa em Situação de Rua", que determina que todos os menores recolhidos nas ruas e que sejam dependentes químicos, principalmente de crack, sejam obrigados a se tratar.
Entretanto, assistentes sociais, psicólogos e integrantes de organizações não governamentais afirmam que o recolhimento compulsório apenas tem tirado as crianças das ruas sem oferecer tratamento médico e psicológico adequado e que o projeto, gerido pela Secretaria Municipal de Assistência Social, deveria ser realizado em parceria com profissionais especializados em saúde mental que a própria prefeitura dispõe em seus quadros, mas que não estão participando do programa.
Integrantes do setor de fiscalização dos dois conselhos, que visitaram o recém-inaugurado abrigo Casa Viva, projeto piloto criado pela prefeitura para receber os meninos e meninas retirados das ruas, afirmam que o local não tem estrutura física e profissionais adequados para tratar dependentes químicos e denunciam que a atual abordagem se assemelha aos antigos manicômios, modelo de tratamento psiquiátrico banido no país há mais de 20 anos.
Representante da Rede Rio Criança, que reúne 25 entidades de defesa dos direitos de crianças e adolescentes, Márcia Gatto afirma que a "a ampla equipe multidisciplinar anunciada pela Secretaria de Assistência Social não existe" e que não há um psiquiatra, mas apenas um clínico geral para tratar dos pacientes.
- Nos pareceu uma experiência nada acolhedora. Mais parece um encarceramento. Os garotos passam a maior parte do tempo vendo TV quando não estão dopados. Não existe estímulo ao vínculo familiar e as crianças não têm acompanhamento quando recebem alta.
Polêmica
As ações de recolhimento em operações nas chamadas cracolândias com uso da força também foram alvos de duras críticas porque, segundo o grupo, desrespeita as recomendações da Política Nacional de Saúde Mental e impossibilita uma abordagem social, como explica Hilda Correa de Oliveira, membro do Conselho Regional de Serviço Social.
- O grande equívoco é a falta de articulação com a área de saúde mental. O ato de abordagem nunca pode ser acompanhado de força policial porque é preciso criar uma relação de confiança e diálogo com os dependentes. O atual modelo de abordagem não pode ser caracterizado como social, mas de força.
Polêmica, a medida tem dividido especialistas. Juristas e a própria OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil) afirmam que a medida fere a Constituição e desrespeita o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Especialistas em tratamento de dependência química ponderam que somente a internação forçada não resolve o problema, e que, se não houver um tratamento adequado, as crianças fatalmente vão voltar para as ruas.
Em seu blog, o desembargador Siro Darlan, conhecido por sua atuação no Juizado da Infância e Juventude do Rio na época da implementação do ECA, faz críticas contundentes à medida e afirma que "o município há 21 anos descumpre a lei de proteção integral à infância". Darlan acusa as autoridades municipais de desrespeito ao ECA e negligência ao deixar de cobrar sua efetiva aplicação.
"É claro que ninguém quer crianças usando drogas, mas o que está errado é deixá-las sem família, sem escolas, sem creches, sem respeito, perambulando pelas ruas sem destino por falta de equipamentos que as tratem com respeito e dignidade".
Um relatório elaborado pelo grupo será entregue para vereadores, deputados e prefeitura nos próximos dias, e uma carta assinada por diversas entidades será encaminhada ao Comitê Olímpico Internacional, que acompanha e fiscaliza as ações do município voltadas para a realização dos Jogos de 2016.
Secretaria diz que projeto já é modelo 
Após ganhar notoriedade como o "xerife do Rio", por criar as operações de combate à desordem urbana quando esteve à frente da Secretaria de Ordem Pública, o atual titular da Assistência Social, Rodrigo Bethlem, acusou os críticos de "falarem sem conhecimento de causa". Ele afirma que o programa é feito de maneira compartilhada com a Secretaria Municipal de Saúde e que a Casa Viva  tem psiquiatra, psicólogo, terapeuta ocupacional, enfermeiros, assistentes sociais, cozinheiro e assistente de cozinha, além de educadores.
- O maior problema é falarem sem conhecimento de causa. Não é internação. É um abrigo compulsório, obrigamos a ficar em um abrigo. É uma gestão compartilhada com a saúde. Aceito crítica, é valida, mas para falar tem de conhecer.
Bethlem disse que as crianças praticam atividades na casa e que frequentemente são levadas para passeios. No último sábado (2) os internados na Casa Viva foram visitar a Cidade da Criança, segundo o secretário.
Ainda de acordo com Bethlem, as operações para recolhimento dos menores nas ruas têm de ser feitas com o acompanhamento da Polícia Civil – a DPCA (Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente) – porque entre os adolescentes podem existir criminosos. Segundo ele, desde o início das operações, já foram encontradas mais de cem pessoas que tinham mandados de prisão expedidos.
Bethlem afirmou que as famílias acompanham o tratamento dos adolescentes e que nenhum dos internados já teve alta e que também haverá um acompanhamento para reinserção social e familiar daqueles que saírem da instituição.
Segundo ele, as secretarias Municipais da Saúde e de Assistência Social, além do Ministério Público do Rio, têm sido procuradas por governos de vários Estados do país para que o programa seja implantado em outros lugares.
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G1 - 15/07/2011
Dezesseis usuários de crack são recolhidos em Madureira, no RJ
Prefeitura e PM estão no Morro do Cajueiro, no subúrbio da cidade. 
Ônibus da Assistência Social Itinerante vai continuar na comunidade.
Dezesseis pessoas, entre elas três menores, já foram recolhidas na operação que a Polícia Militar e a prefeitura do Rio fazem para combater o uso e a venda de crack, no Morro do Cajueiro, em Madureira, no subúrbio do Rio, nesta sexta-feira (15).
De acordo com informações da Secretaria municipal de Assistência Social, 30 funcionários, 40 policiais militares do 9º BPM (Rocha Miranda) e seis policiais da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) ainda estão na comunidade.
Mulher com tesoura
Segundo informações da Secretaria, os agentes tiveram dificuldade para recolher uma mulher que estava drogada e com uma tesoura na mão. Ao tentar evitar entrar na van que levaria os usuários para triagem no 9º BPM, ela deu um pontapé no peito de um agente da Secretaria, que caiu da van. O funcionário teve de ser atendido por uma ambulância da PM, que dava apoio à operação.
Nesta sexta-feira (15), também a Secretaria dá início a um novo serviço, chamado Assistência Social Intinerante. Após as operações, um ônibus com uma equipe de assistentes sociais e psicólogos vai continuar prestando atendimento às comunidades, num período que pode variar de uma semana a um mês.
"Vamos continuar prestando serviços sociais ao longo da semana, após as operações. Vamos prestar serviços sociais, principalmente, às famílias que já perderam vínculo com os usuários de drogas. Mas também daremos orientações sobre exploração sexual e trabalho infantil. Vamos dar suporte às operações, evitando assim que as pessoas tenham de ser levadas para abrigos.Trata-se de uma extensão do trabalho que é feito nos 14 centros de atendimento especializados da Secretaria", informou a assistente social Daphne Braga, uma das coordenadoras do projeto.
Esta é a segunda operação de combate ao crack na semana e a 19ª desde março. Os usuários recolhidos serão levados para o 9º BPM (Rocha Miranda).
Ação no Jacarezinho
Na quarta-feira (13), agentes da Secretaria municipal de Assistência Social (SMAS) recolheram 47 usuários de crack durante uma operação contra o crack, na Favela do Jacarezinho, no subúrbio. Segundo informações da própria Secretaria, entre os recolhidos havia 10 crianças e adolescentes e uma mulher grávida.
De acordo com a Secretaria, ao chegar no local, os agentes foram recebidos pelos usuários com pedras. Um dos veículos utilizados na ação foi atingido e o motorista ficou ferido. Ainda não há informações sobre seu estado de saúde.
Ainda de acordo com a Secretaria, foram apreendidas facas, munições, bombas caseiras, morteiros e material para consumo de crack. A ação contou com o apoio de Policiais da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), do 3º BPM (Méier) e de agentes da Guarda Municipal.
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G1 RJ - 07/06/2011
Internação compulsória de crianças e jovens por crack divide opiniões no RJ
Detidos só são liberados quando são considerados livres do vício.
Desde uma resolução da prefeitura, no final de maio, que  obriga crianças e adolescentes detidos nas cracolândias a ficar internados para tratamento médico, mesmo contra a vontade deles ou dos familiares, o Rio vive uma polêmica em relação ao combate ao crack. A internação obrigatória divide opiniões.
De acordo com a Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), os jovens só são liberados quando agentes os considerarem livres do vício. Segundo a prefeitura, a internação compulsória, como é chamada, não desrespeita o Estatuto da Criança e do Adolescente nem a Constituição.
O centro de acolhimento "Casa Viva" é um dos locais da prefeitura para tratar dependentes químicos. Mais de 30 funcionários estão envolvidos na recuperação de adolescentes viciados, que atualmente são oito. Além de receberem as refeições do dia, eles participam de brincadeiras e recebem atendimento médico e psicológico (link a seguir).
 
No dia 25 de maio, após a publicação da prefeitura, a secretaria fez a primeira operação conjunta com a PM, na Favela do Jacarezinho, no Jacaré, no subúrbio do Rio, de combate ao crack. 
Após diversas operações realizadas no Rio, 760 pessoas foram recolhidas, sendo que 169 delas eram crianças. A informação é da secretaria.
Desde o dia 31 de março, as polícias civil e militar fizeram 10 operações para retirada de usuários de crack das ruas. A maioria, na Favela do Jacarezinho; outras três também no subúrbio; duas no Centro e uma na Zona Sul da cidade.
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Do G1 RJ - 25/05/2011
Prefeitura e PM fazem operação contra cracolândia no subúrbio do RJ
Recolhimento de usuários de droga acontece na Favela do Jacarezinho. Esta é a terceira operação realizada em um mês na comunidade.
A prefeitura do Rio, através da Secretaria de Assistência Social, com o apoio de policiais do 3º BPM (Méier), da Polícia Civil e da Guarda Municipal, realiza na manhã desta quarta-feira (25) mais uma operação para acabar com pontos de vendas e consumo de crack na Favela do Jacarezinho, no Jacaré, no subúrbio do Rio. Não há registro de confrontos.
Esta é a terceira operação realizada em um mês na comunidade. Uma delas foi realizada somente pela PM, no dia 6.
De acordo com a secretaria, as mulheres recolhidas serão encaminhadas para triagem na 17ª DP (São Cristóvão), os homens para a 21ª DP (Bonsucesso) e os menores para Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), no Centro.
No último dia 12, em ação semelhante, foram recolhidas 101 pessoas, sendo 80 adultos e 21 menores de idade.
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Extra 24/05/2011
Inaugurado no Rio espaço para receber jovens de 8 a 14 anos que são dependentes químicos
 
O secretário Rodrigo Bethlem, em frente à Casa Viva
Atendimento especializado para crianças e adolescentes com idades entre 8 e 14 anos e dependentes químicos. É isso o que pretende a Casa Viva, em Laranjeiras — um parceria das secretarias municipais de Assistência Social e de Saúde. O espaço, inaugurado na manhã desta terça-feira, receberá quem tiver sido recolhido nas ruas e encaminhado para abrigos da prefeitura. São 25 vagas.
— Identificaremos nos abrigos as crianças e adolescentes com nível de dependência alto e os traremos para cá, para se tratarem a portas fechadas — disse o secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem.
Segundo ele, a Casa Viva contará com uma equipe especializada para fazer o acompanhamento dos dependentes químicos. Serão assistentes sociais, médicos, psicólogos e enfermeiros.
— Vamos também identificar as famílias desses garotos para saber se, depois do tratamento, eles terão condições de voltar para casa. Caso não tenham, seguirão para abrigos tradicionais e para famílias adotivas — contou Bethlem.
Se a experiência com a Casa Viva de Laranjeiras der certo, ainda de acordo com o secretário, outros quatro espaços iguais serão inaugurados no Rio
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O DIA 23.05.2011
Laranjeiras vai ganhar espaço para atendimento a menores envolvidos com drogas
Rio - A Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) inaugura na próxima terça-feira a Casa Viva, novo espaço em Laranjeiras destinado ao acolhimento e atendimento especializado a crianças e adolescentes com envolvimento com drogas. Em parceria com Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil (SMSDC), a unidade irá atender 25 crianças e adolescentes que foram retirados das ruas.
Na instituição, os jovens irão receber o suporte necessário à sua recuperação. Será um espaço diferenciado, com tratamento individualizado em saúde e na área psicossocial, além de atividades recreativas, passeios e outras programações de entretenimento. A proposta é um ambiente lúdico e acolhedor com brinquedoteca, biblioteca, sala de jogos, TV e videogame, área de convivência e de lazer, ao ar livre. Ao chegar, todos receberão uniforme e kit de higiene.
O atendimento será realizado na modalidade de Casa Lar Especializada, com prestação de assistência médica, social e psicológica, e terapias alternativas auxiliares. O trabalho terá como foco a reinserção familiar e comunitária, sempre com reforço nos vínculos familiares das crianças e dos adolescentes. 
A equipe será formada por médico, enfermeiro, técnicos em enfermagem, psicólogo, pedagogo, assistentes sociais, educadores sociais, musicoterapeuta, e também terá o apoio dos profissionais que atuam nos centros municipais de Acolhimento, Referência de Assistência Social (CRAS) e Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).
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G1 RJ - 17/05/2011
Crescem redutos de crack na Baixada Fluminense, diz comissão
Segundo especialistas, entre usuários estão muitas crianças e adolescentes.
'Estamos diante de uma epidemia', declara psiquiatra.
Eles começam a chegar no início da noite. São crianças, adultos e mulheres esquálidas, algumas grávidas, que formam o batalhão de dependentes do crack que caminham atônitos em direção à calçada do estacionamento de um hipermercado no Centro de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.  Segundo secretarias de Promoção Social e conselhos tutelares, a cena se repete em outros pontos dos 13 municípios da região de  4 milhões de habitantes.
Já no meio da madrugada, os usuários da droga atravessam a Avenida Tabelião Silmar Silva e seguem para uma igreja onde voluntários oferecem à população de rua o "sopão da misericórdia", como chamam.
A oferta de comida atrai moradores das favelas do Lixão e Vila Ideal. Nos dois cenários de miséria, situados de frente para os principais acessos da cidade, vivem famílias com quatro ou cinco filhos pequenos em barracos com pisos de chão batido, úmidos, e paredes de papelão. É dali que sai a maioria dos ocupantes do calçadão.
'Tribos de cracudos'
Na Baixada Fluminense, as "tribos de cracudos", como são chamados nas ruas, estão espalhados por todos os lugares. Nos acessos das favelas, nos becos, nas ruas ou nas praças de Belford Roxo, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Vilar dos Teles, São Mateus, Nilópolis, Mesquita e outras localidades da região. 
"O crack está devastando a vida dos jovens fluminenses. O que a gente vê em Duque de Caxias é um dos exemplos disso. Precisamos fazer uma grande campanha de prevenção", sugere a deputada estadual Claise Maria Zito, ex-secretária de Assistência Social do município e atual presidente da Comissão de Assuntos da Criança, Adolescente e Idoso da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj).
Integrantes da comissão começaram a visitar alguns municípios da Baixada na segunda-feira (16) para fazer um levantamento do número de usuários e conhecer as medidas que estão sendo adotadas em programas de prevenção.
 
 
O aumento no consumo da droga – feita a partir da mistura e queima da pasta base de cocaína com bicarbonato de sódio e amoníaco com água destilada - impressiona até mesmo os profissionais que atuam na área.
"Estamos diante de um aumento vertiginoso de casos de usuários de crack. Sem dúvida, é uma epidemia", afirma o psiquiatra Leonardo Lessa Telles, coordenador do Programa de Saúde Mental da Prefeitura de São João de Meriti, um dos municípios mais populosos da Baixada Fluminense.
Gravidez precoce e risco de doenças
O psiquiatra alerta para os riscos de outras doenças contraídas por esses grupos. "Meninas se prostituem para conseguir a droga e acabam contraindo doenças infecto-contagiosas graves, como o HIV. E muitas delas engravidam nessa situação", alerta.

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Matérias retiradas do blog
(links fig)
 
1/11/2011
SMAS realiza 97 acolhimentos no Centro do Rio
Durante operação para retirada de moradores de rua, realizada pela SMAS, na madrugada desta terça-feira, dia 1º, no Centro do Rio, as equipes localizaram bueiros e caixas de energia que armazenavam roupas e objetos pertencentes a pessoas em situação de rua. No total, foram realizados 97 acolhimentos - 72 adultos e 25 crianças e adolescentes. Também foram apreendidas facas, cartões de crédito e material para consumo de crack. 
A ação teve início às 4h e contou com o apoio de 10 agentes do 5º BPM e oito da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). O trabalho de acolhimento foi realizado por 25 funcionários da SMAS, dentre psicólogos, educadores e assistentes sociais. As equipes percorreram o entorno da Rodoviária Novo Rio, Central do Brasil, Terminal Rodoviário Américo Fontenele, os bairros da Gamboa e Saúde. Também foram monitoradas as regiões da Lapa, Praça Tiradentes e o mergulhão da Praça XV.
Após o processo de identificação na polícia, todos os acolhidos serão encaminhados para as unidades de abrigamento da Rede de Proteção Especial do município. Desde o dia 31 de março, a SMAS já realizou no total, em diferentes pontos da cidade, 2.407 acolhimentos (1.999 adultos e 408 crianças e adolescentes).
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30.11.2011
Abrigamento compulsório completa seis meses
Adotado pela SMAS em 30 de maio de 2011, o modelo de abrigamento compulsório, para crianças e adolescentes com dependência química, completa seis meses com resultados muito positivos na recuperação desses menores. Após um período nas unidades de atendimento especializado da Prefeitura, alguns meninos e meninas já retornaram para suas famílias e escolas.
Além da reintegração familiar, as equipes de psicólogos e assistentes sociais das unidades de acolhimento também trabalham junto às famílias a importância da continuidade do tratamento contra a dependência química. Não é só a criança que precisa estar pronta, mas a família também. Na maioria dos casos a rejeição e a violência começam em casa e a droga é uma grande fuga da dura realidade desses jovens.
Desde quando passou a valer a nova prática até hoje, 104 crianças e adolescentes foram abrigados compulsoriamente após serem retirados das cracolândias. Atualmente a SMAS oferece o total de 160 vagas para o brigamento compulsório nos três Centros Especializados em Atendimento à Dependência Química (CEADQs), conveniados à secretaria, e na Casa Viva, unidade própria do município, inaugurada em maio, em Laranjeiras.
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30.09.2011
Operação da SMAS retira 64 pessoas das ruas do Centro
(http://rodrigobethlem.blogspot.com/2011/09/operacao-da-smas-retira-64-pessoas-das.html)
Em mais uma operação para a retirada de população de rua e também para o combate ao crack, a SMAS realizou 64 acolhimentos na região do Centro, na manhã desta sexta-feira, dia 30.
As equipes da secretaria, Guarda Municipal e polícias Militar e Civil percorreram o entorno da Central do Brasil, Terminal Rodoviário Américo Fontenele, Largo de São Francisco e Campo de Santana, além de ruas dos bairros Gamboa e Saúde. A polícia também encontrou facas, cachimbos para o consumo do crack, thinner e maconha.
Após o processo de identificação na polícia, todos os acolhidos serão encaminhados para as unidades de abrigamento da Rede de Proteção Especial do município. Os adultos irão para o abrigo de Paciência e as crianças e os adolescentes para a Central de Recepção Carioca, no Centro. Aqueles menores que forem identificados com alto grau de comprometimento com a dependência química serão conduzidos para tratamento em uma das quatro unidades de abrigamento compulsório.
Desde o dia 31 de março, a SMAS já realizou 1.843 acolhimentos (1.511 adultos e 332 crianças e adolescentes).
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29.09.2011
Assistência Social realiza mais uma operação de combate ao crack no Centro e na Zona Sul
Durante a madrugada desta quarta-feira, 75 pessoas foram acolhidas.
(http://rodrigobethlem.blogspot.com/2011/09/assistencia-social-realiza-mais-uma.html)
A Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), em parceria com a Policia Civil, realizou na noite desta quarta-feira, 28, mais uma operação para a retirada de moradores de rua em bairros do Centro e da Zona Sul. No total, foram 75 acolhimentos (58 adultos e 17 crianças e adolescentes).
A ação aconteceu entre 22h e 02h e envolveu 80 profissionais - 40 policiais e 40 funcionários da SMAS, dentre psicólogos, assistentes sociais e educadores sociais. Além da DPCA, a iniciativa também contou com o apoio dos policiais das 9ª, 10ª, 12ª e 13ª DPs. As equipes partiram da DPCA, no Centro, e seguiram para o entorno da Central do Brasil, onde muitas pessoas localizadas dormindo nas ruas.
Só no Largo do Machado, foram acolhidas dez crianças e adolescentes, a maioria com fortes indícios de dependência química. Os agentes também percorreram os bairros Catete, Glória, Flamengo, Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon. Alguns adultos foram encontrados dormindo pelas ruas, dentro do túnel da rua Toneleiro, em Copacabana, e outros, embaixo de um viaduto na Lagoa. Junto com eles a polícia localizou cachimbos para o consumo do crack, facas, canivetes e medicamentos utilizador para fins de entorpecência.
De acordo com o secretário Rodrigo Bethlem, essas ações têm o objetivo de salvar vidas, já que a maioria dessas pessoas está na rua por causa das drogas, do trafico e, até mesmo, por conta de situações de violência doméstica.
"Muitas dessas pessoas já estão com lesões irreversíveis. Por isso o acolhimento é tão importante, principalmente para as crianças, para que a gente possa resgatá-las para oferecer tratamento".
Após o processo de identificação na polícia, todos os acolhidos foram encaminhados para as unidades de abrigamento da Rede de Proteção Especial do município. Os adultos foram levados para o abrigo de Paciência e as crianças e os adolescentes para a Central de Recepção Carioca, no Centro. Aqueles menores que forem identificados com alto grau de comprometimento com a dependência química serão conduzidos para tratamento em uma das quatro unidades de abrigamento compulsório.
Desde o dia 31 de março, a SMAS já realizou 1.779 acolhimentos (1.462 adultos e 317 crianças e adolescentes)
Balanço das Operações:
31/03 - Morro do Cajueiro
83 acolhimentos realizados (75 adultos e 8 crianças e adolescentes)
 29/04 – Lapa
66 acolhimentos realizados (22 adultos e 44 crianças e adolescentes)
02/05 - Morro do Cajueiro
85 acolhimentos realizados (71 adultos e 14 crianças e adolescentes)
05/05 - Ceasa
58 acolhimentos realizados (57 adultos e 1 crianças e adolescentes)
06/05 - Jacarezinho
87 acolhimentos realizados (73 adultos e 14 crianças e adolescentes)
09/05 - Zona Sul
52 acolhimentos realizados (33 adultos e 19 crianças e adolescentes)
12/05 - Jacarezinho
101 acolhimentos realizados (80 adultos e 21 crianças e adolescentes)
19/05 - Centro
83 acolhimentos realizados (67 adultos e 16 crianças e adolescentes)
25/05 - Jacarezinho
76 acolhimentos realizados (60 adultos e 16 crianças e adolescentes)
03/06 - Jacarezinho
69 acolhimentos realizados (53 adultos e 16 crianças e adolescentes)
08/06 - Jacarezinho 
34 acolhimentos realizados (28 adultos e 6 crianças e adolescentes)
10/06 - Parque União, Ilha do Governador e Rodoviária
44 acolhimentos realizados (41 adultos e 3 crianças e adolescentes)
15/06 - Morro do Cajueiro, Madureira e São José da Pedra
90 acolhimentos realizados ( 84 adultos e 6 crianças e adolescentes)
17/06 - Zona Sul
21 acolhimentos realizados (15 adultos e 6 crianças e adolescentes)
21/06 - Jacarezinho
31 acolhimentos realizados (28 adultos e 3 crianças e adolescentes)
28/06 - Manguinhos
58 acolhimentos realizados (48 adultos e 10 crianças e adolescentes)
06/07 - Zona Sul
73 acolhimentos realizados (59 adultos e 14 crianças e adolescentes)
13/07 - Jacarezinho
47 acolhimentos realizados(37 adultos e 10 crianças e adolescentes)
15/07 - Morro do Cajueiro
36 acolhimentos realizados (33 adultos e 3 crianças e adolescentes)
19/07 - Jacarezinho
53 acolhimentos realizados (38 adultos e 15 crianças e adolescentes)
29/07 - Morro do Cajueiro
37 acolhimentos realizados (33 adultos e 4 crianças e adolescentes)
03/08 - Manguinhos e Parque União
35 acolhimentos realizados (30 adultos e 5 crianças e adolescentes)
12/08 - Jacarezinho
46 acolhimentos realizados (40 adultos e 6 crianças e adolescentes)
17/08 - Parque União
16 acolhimentos realizados (16 adultos)
22/08 - Morro do Cajueiro
38 acolhimentos realizados (37 adultos e uma adolescente)
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30/08/2011
SMAS - Secretaria Municipal de Assistência Social
http://www.rio.rj.gov.br/web/smas/exibeconteudo?article-id=2075750 
Abrigamento compulsório completa 3 meses na recuperação de crianças e jovens viciados em drogas
Cerca de 60% dos abrigados têm suas famílias localizadas pelas equipes da SMAS
O modelo de abrigamento compulsório adotado pela Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), completa três meses hoje, terça-feira, dia 30, já com resultados muito positivos em relação ao tratamento contra a dependência química, realizado com crianças e adolescentes.
- A recuperação dessas crianças e adolescentes é visível. Haviam casos graves de problemas de pele, doenças sexualmente transmissíveis, tuberculose, desnutrição e baixo peso. Hoje, a realidade é outra e esses resultados nos motivam a seguir em frente - observa o secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem.
Diversos meninos e meninas chegaram aos centros de atendimento especializado muito debilitados fisicamente, em péssima condições de higiene e com reações agressivas ao tratamento. Após receberem atendimento psicossocial, médico e odontológico, todos já aceitam bem o trabalho proposto pelos profissionais e apresentam uma evolução positiva em seus quadros de saúde.
- Admiro a iniciativa corajosa da Secretaria de Assistência Social. Após a escravidão, as cenas mais degradantes que já presenciei foram de pessoas abandonadas em cracolândias. O judiciário e a prefeitura estão empenhados em oferecer uma vida digna a essas crianças que ainda não têm condições de decidir por um tratamento. Não há uma fórmula pronta para o enfrentamento ao crack. É com a união de todos os envolvidos que conseguiremos aperfeiçoar cada vez mais essas intervenções - avalia a juíza Ivone Caetano, titular da Vara da Infância, da Juventude e do Idoso da Capital.
Atualmente, a SMAS tem 85 crianças abrigadas compulsoriamente, 54 que foram acolhidas nas operações em cracolândias e 31 que já estavam nos abrigos e foram submetidas ao novo sistema, após 30/05.
Cerca de 60% dos abrigados têm suas famílias localizadas pelas equipes da SMAS
Além de uma visível melhora nos aspectos físico e emocional, o abrigamento compulsório trouxe a possibilidade da reinserção familiar. Muitos jovens estão conseguindo resgatar o vínculo com suas famílias, devido ao trabalho das equipes da SMAS que percorrem diferentes regiões da cidade na tentativa de localizar os pais. Na maioria, os familiares estavam sem qualquer notícia do adolescente há muito tempo e, atualmente, 60% dos jovens que estão abrigados já recebem, toda semana, a visita dos parentes.
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09.06.2011
Casa Viva e o tratamento de combate ao crack
A Casa Viva, em Laranjeiras, oferece toda a estrutura necessária para a recuperação de crianças e adolescentes com dependência química. Logo que chega à unidade, a criança passa por uma avaliação clínica geral onde são diagnosticadas, primeiramente, as questões psicológicas, a sua socialização com o grupo e se possui um passado de traumas.
Também são realizados diagnósticos sobre o estado nutricional dessa criança, se possui alguma doença infecto-contagiosa ou preexistente. Logo no início, ela vai ser medicada contra parasitose, são realizadas profilaxias para piolhos e sarna e, então, iniciamos o tratamento para que se recupere da dependência química.
Em média, após 45 dias afastada da droga a criança está apta para a reinserção social ou familiar, mas sempre sob vigilância dos profissionais da unidade. Normalmente, o tratamento dura cerca de dois ou três meses. Mas os casos mais graves levam de seis a oito meses para a total recuperação.